“Tigres Voadores”, 75 anos de um mito da História

24/12/201610h10

Rafael Cañas.

Pequim, 24 dez (EFE).- Os “Tigres Voadores”, o corpo de pilotos voluntários americanos que combateu na China contra a invasão japonesa, completaram 75 anos como um verdadeiro mito da História.

Levados à fama pela mística das aventuras no Oriente, e uma imprensa e cinema empenhados em consagrar heróis bélicos, os Flying Tigers, nome assumido pelo Grupo de Voluntários Americanos (American Volunteer Group, AVG), se transformaram rapidamente em símbolo da resistência contra o Japão.

Imortalizados no cinema por figuras como John Wayne e Fred Astaire, os “Tigres”, um grupo de aventureiros e mercenários, chegaram rapidamente ao imaginário popular graças à imprensa e à Disney, autora do desenho do tigre voador pintado em seus aviões.

“O AVG tinha boa aparição na imprensa porque era o único ponto brilhante em um período muito obscuro de nossa História”, afirmou à Agência Efe Larry Jobe, presidente da Associação Histórica dos Tigres Voadores.

O grupo foi criado após a invasão japonesa de 1937, quando os modernos aviões japoneses liquidaram rapidamente a pequena e antiquada força aérea chinesa dentro da ofensiva das tropas nipônicas.

O líder chinês, Chiang Kai-shek, recrutou a preço de ouro alguns assessores americanos, liderados pelo comandante na reserva Claire Louis Chennault, para formar novos pilotos.

Chennault, grande piloto e pioneiro no desenvolvimento de táticas de combate aéreo, formou recrutas chineses e alguns mercenários, mas em 1940 voltou a Washington junto com o cunhado de Chiang (T.V. Soong, um graduado em Harvard).

Embora os EUA eram então neutros, o presidente Franklin Roosevelt, impressionado com as rápidas vitórias nazistas na Europa, queria fazer o possível para conter Alemanha e Japão.

Assim, Washington autorizou um empréstimo à China para comprar material bélico e de saúde (incluindo aviões) e permitiu a pilotos militares pedir licença e se alistar na Força Aérea da China, que lhes pagava o triplo de seu salário americano mais um prêmio por avião inimigo destruído.

Finalmente, Chennault e sua organização recrutaram cem pilotos e cerca de 250 técnicos, e conseguiram caças para tentar resistir aos bombardeiros japoneses que atacavam com impunidade as cidades chinesas.

O avião escolhido foi o Curtiss P-40 Tomahawk, menos operacional que os ligeiros caças japoneses, mas também mais robusto e resistente ao fogo inimigo.

As fuselagens foram decoradas com um símbolo que se tornou universal, embora não fosse original: uma boca de tubarão mostrando dentes ferozes. Tinham nascido os “Tigres Voadores”.

Após vários meses de transporte e preparação, em 20 de dezembro de 1941 (com os EUA já na guerra após o ataque japonês a Pearl Harbor), aconteceu seu primeiro combate: os “Tigres” frearam um bombardeio sobre a cidade de Kunming, derrubando três dos 12 aparelhos japoneses.

No entanto, a guerra fez com que Washington os integrasse em suas forças regulares, o que ocorreu em 4 de julho de 1942. “Os ‘Tigres’ entraram para a História”, escreveu Chennault, que continuou à frente do grupo, apesar de vários rejeitarem a disciplina militar e voltarem à vida civil.

Nesse período, os “Tigres” combateram na China e em Mianmar e foram quase o único freio às ofensivas japonesas no sudeste da Ásia. Receberam o crédito de derrubar 296 aviões, embora o número real seria de 114. Além disso, 22 de seus cem pilotos morreram ou foram feitos prisioneiros.

Este contingente “cobriu o vazio da Força Aérea chinesa”, explicou à Efe Xu Haiyun, catedrático de História da Universidade Renmin, de Pequim, ressaltando o impulso à moral que deram às forças chinesas.

A China comunista minimizou o papel dos nacionalistas de Chiang Kai-shek na guerra contra o Japão, embora recentemente o tenha avaliado e com isso ressurgiu o interesse chinês pelos “Tigres”, lembra Xu. Por exemplo, em março passado foi inaugurado um museu em sua memória em Guilin.

Embora o sobrenome continuou sendo usado na nova “China Air Task Force” até o final do conflito em 1945, os pioneiros do grupo disseram que eles foram os autênticos “Tigres”, lendários também por suas jaquetas, ainda hoje na moda.

O investigador e autor Daniel Ford ressalta em seu livro “Flying Tigers” (2007) o caráter aventureiro deste contingente, às vezes com casos de indisciplina, saque e contrabando.

Um dos pilotos foi Albert “Ajax” Baumler, mercenário da República na Guerra Civil espanhola, e o primeiro americano a derrubar aparelhos das três potências do Eixo.

Ainda sobrevivem três “Tigres” originais e bastantes “sucessores”, segundo Jobe, que acompanhou alguns deles, convidados pela China para os festejos de 2015 do 70º aniversário da derrota do Japão.

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