Um novo modelo de Brasil: viva Moro! Viva Deltan!!!

Claudio Tognolli

Yahoo Notícias
21 de dezembro de 2016
Juiz Sergio Moro na comissão especial de combate a corrupção. Foto Lula Marques/Agência PT

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O acordo de 7 bi da Odebrecht barra Braskem é tudo o que o Brasil precisava.

A Lava Jato é o nosso melhor ativo, tendo dito.

Vamos a um histórico de nossa imagem lá fora.

Não precisamos de Pré Sal. Precisamos do Pós-acordo hoje firmado.

É uma forma de atrair o Brasil à grana gringa: confiabilidade, investimentos…

Em duas ocasiões recentes, os governos brasileiros achincalharam os EUA. Nas duas oportunidades, membros do corpo diplomático norte-americano haviam atestado, por escrito e verbalmente, que o Brasil era um poço de corrupção, incontornável. Tiveram de pedir desculpas.

Mas estavam certos.

A primeira vez foi em outubro de 1997, bem no ano em que o ex-presidente FHC privarizava a Vale do Rio Doce.

Bill Clinton preparava uma visita ao Brasil em outubro de 1997. O Departamento do Comércio dos EUA elaborou então um relatório, entregue ao grupo de empresários norte-americanos, que acompanharia a visita do presidente Bill Clinton ao Brasil.  O dossiê estabelecia que  havia  “um excelente potencial de negócios no Brasil, mas aqui a corrupção ainda é endêmica na cultura brasileira”.

Causou mal estar geral no governo de FHC.

O então embaixador norte-americano no Brasil, Melvyn Levitsky, teve de  telefonar  ao chanceler brasileiro, Luiz Felipe Lampreia, para desculpar-se pelo relatório em que o Brasil era citado.

Segundo o relatório, o Brasil era então o 15º num ranking de países mais corruptos do mundo, num estudo elaborado pela organização não-governamental alemã Transparency International.

Face o mal estar, o Departamento de Estado norte-americano decidiu substituir a expressão “corrupção endêmica” por apenas “corrupção”.

Mas estavam certos em defini-la como “endêmica”.

Agora vamos a outra situação, mais recente ainda.

Um dos telegramas confidenciais enviados pela embaixada dos Estados Unidos no Brasil para Washington, e divulgados pelo Wikileaks, definia que as instituições brasileiras eram todas afetadas por “corrupção generalizada”.

O documento (leia a íntegra, em inglês), datado de 19 de fevereiro de 2009, foi enviado pelo embaixador americano no Brasil, Thomas Shannon, ao procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder —antes deste visitar o Brasil entre 23 e 26 de fevereiro daquele ano.

Shannon escreveu:

“Apesar de muitos juristas serem de alto nível, o sistema judiciário brasileiro é frequentemente descrito como disfuncional e afetado por jurisdições que se sobrepõe, falta de treinamento, burocracia absurda e acúmulos [de processos] esmagadores. A corrupção persistente e generalizada afeta os três poderes do governo [Executivo, Legislativo e Judiciário]. A aptidão das forças da ordem são afetadas por falta de treinamento, rivalidades burocráticas, corrupção em algumas agências e as forças policiais são muito pequenas para cobrir um país de quase 200 milhões de habitantes”.

Nossa política econômica busca um rosto. Já teve. Nos anos 20 do século passado, tínhamos a visão do país cordial, eterno exportador agrícola. Era o país que um Oliveira Vianna “via embranquecer-se”, na frase do ex-ministro Bresser Pereira. Nos anos 50, surge o pessoal do Iseb, Helio Jaguaribe, aparece Roland Corbusier, e o genial comunista Nelson Werneck Sodré. Todos metendo porrada na visão do Brasil eternamente exportador de matérias-primas, e propondo a industrialização a qualquer custo.

A partir de 31 de março de 1964, surge a idéia de que Brasil que cresce é Brasil que se atrela às multinacionais. Estão aí Golbery do Couto e Silva, Roberto Campos. Em contrapartida, estão combatendo essas idéias, também a partir dos anos 60, um Caio Prado Junior, um Fernando Henrique Cardoso, um Fernando Novaes, um Francisco de Oliveira, um Celso Lafer.
FHC marcou sua octaetéride dizendo na Fiesp, no primeiro ano de mandato, que se esquecessem de tudo que escreveu. E retomou o que condenara num Roberto Campos.

Quando o dólar explodiu, em julho de 2002, falava-se que era culpa do Lula por conta do efeito eleição. Naquela época se tinha medo de investidor aqui porque ninguém sabia quem Lula era: hoje se tem medo de investidor aqui porque todos sabem quem Lula e Dilma são.

Quero lembrar de uma passagem daquela metade de 2002, quando o dólar bombava mais que hoje: o economista Rudiger Dornbusch, professor do MIT (Massachusetts Institute of Technology), morto em junho daquele ano, aos 60 anos, em sua casa, em Washington. Destacou-se por ter previsto a crise mexicana, em novembro de 1994, quando da desvalorização do peso mexicano. Em seu obituário, três grandes jornais brasileiros destacaram uma frase sua, de 1998, um ano antes da desvalorização cambial brasileira. Dornbusch referiu que o FMI (Fundo Monetário Internacional) não deveria colocar dinheiro no Brasil para evitar uma crise. “Quando o Brasil ligar, apenas deixe o telefone tocar. Diga que nossos operadores estão ocupados”.

O acordo Braskem barra Odebrecht é nossa redenção, é nossa remissão. Face nossa imagem lá fora.

Juiz Sergio Moro na comissão especial de combate a corrupção. Foto Lula Marques/Agência PT

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Espero, do fundo do coração mais natalino, que o axioma ouvido de um gringo:

–Olha, nos EUA o cara fica rico e depois vira político (Trump), e no Brasil o cara vira político para se tornar rico…

Espero que isso tenha um fim nesse acordo Braskem barra Odebrecht.

Espero que nosso futuro não seja mais negro que asa de graúna.

Salve Moro! Salve Deltan!!!

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