Bateu um desespero na elite

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Empresários, economistas e banqueiros desesperam-se com uma recessão pior do que imaginavam

02/12/2016 02h00

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Está um sururu na elite.

Empresários, economistas de proa e até banqueiros desesperam-se com uma recessão ainda pior do que imaginavam. As elites do Estado avacalham ou desmoralizam as instituições.

No universo que discute economia, passa-se a pedir “medidas” de modo meio atabalhoado, há grita contra os juros até entre insuspeitos de sempre do “mercado” e até mesmo cogita-se de aumentar impostos.

Curioso, para dizer a coisa de modo diplomático, é que esperassem desempenho melhor. O horror é grande, mas ainda parecido com o que era razoável esperar, dado o tamanho da desgraça e do plano aceito para atenuá-la. Onde estava todo mundo com a cabeça?

O Plano Temer agora parece ter defeitos: o programa de contenção de gastos (ajuste fiscal) seria lento demais. O governo não implementa reforma microeconômica de impacto mais imediato. Demora demais no projeto de colocar investimentos na rua por meio de concessões de infraestrutura para empresas privadas.

Nas enquetes limitadas de que o jornalismo é capaz, ainda se ouve o “é o que temos” sobre o governo Temer, que não há, por ora, alternativa melhor em tempo hábil. Mas o governo e seus amigos no Congresso Nacional precisam se emendar, parar de baderna.

Quanto à economia, o horror continua. Mas a despiora, também, em ritmo algo mais lento. Um pouco mais sombrio do que o esperado é o ritmo de aumento do desemprego.

Estranho era esperar coisa melhor. Não há investimento público para dar impulso à demanda, menos ainda investimento privado, dada a ociosidade nas empresas, a taxa de juros e a baderna institucional. As famílias se batem para reduzir endividamento e a despesa com serviço da dívida, que não cai por causa dos juros altos.

Optou-se por um ajuste fiscal lento (e baixa lenta de juros, pois), ainda mais lento dada a histeria contra aumento de impostos, ponto de honra do programa econômico da campanha que depôs Dilma Rousseff. Como era possível esperar coisa muito diferente do que se vê?

De onde viriam impulsos mínimos, a princípio? De juros e inflação menores; do programa de infraestrutura que ainda está na prancheta ou sabe-se lá onde. Tudo devagar.

A economia em geral ainda despiora, repita-se. Em termos de taxas de (de)crescimento, o fundo do poço parece ter sido no início do ano. O consumo das famílias caía a 6,7% ao no trimestre final de 2015; caía a 3,4% no terceiro trimestre deste ano. Mesmo a arruinada indústria, que baixava a mais de 12% em janeiro, agora baixa a 5,5% (trimestre em relação a trimestre do ano anterior), para dar apenas um outro exemplo, de que há vários.

Investimento e construção civil, porém, pararam de despiorar. Bidu.

Uma desgraça menor hoje sobre uma desgraça maior ontem, composta, multiplicada, não é consolo, decerto. Mas é o que teríamos, dadas as condições do país, os planos de governo e a sua implementação lenta. É tudo muito grave e assustador, claro.

Pode piorar, dada a crise nos Estados, efeito Trump e uma queda nos ânimos, dado o tumulto nacional. Com a baderna nojenta e revoltante de irresponsável em Brasília, há risco extra de recaída, de fim da despiora modesta, de depressão, palavra sinistra que passou a circular por aí.

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