Ao mirar no PMDB, Lava Jato atinge todo o sistema político

Rogério Jordão18 de novembro de 2016
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Depois do PT, agora parece ser a vez do PMDB arder na fogueira da Lava Jato. Em outubro tivemos a prisão preventiva de Eduardo Cunha. Agora, a do ex-governador Sérgio Cabral. Ambas figuras de proa do PMDB fluminense. São os primeiros a cair de uma fileira de dominós ou, como já se disse no passado, a sangria será estancada? Creio que se o caminho for este mesmo – o de avançar sobre o PMDB – a Lava Jato irá, enfim, estilhaçar um dos nervos centrais da política brasileira. Como o pilar de uma casa que desaba a olhos vistos.E Temer, escapa dessa?

Pouco antes de ser preso, Cunha deu uma entrevista ao jornal O Estado de São Paulo dizendo que Moreira Franco, também do PMDB do Rio e secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), não resistiria a uma investigação. Moreira é uma figura importante do governo Temer. Uma eminência pouco afeita a holofotes. É do Rio. Oito anos governado por Cabral. Que está preso. Na prisão de Cabral, por sua vez, reapareceu a Carioca Engenharia, acusada de pagar uma mesada ao ex-governador, a mesma empresa que, segundo a imprensa, acusou Cunha de cobrar propina pela liberação de verbas no Porto Maravilha. Em outubro, quando decretou a prisão de Cunha, Moro escreveu que o ex-deputado recebeu dinheiro ilícito de João Augusto Rezende Henriques, o mesmo operador que, nos anos 1990, e apadrinhado por Temer, envolveu-se em um esquema na BR Distribuidora, segundo delação do ex-senador Delcídio do Amaral. Como se vê, os estreitos e minguados graus que separam peemedebistas, empresas, ameaças e acusações dão uma dimensão do campo minado sobre o qual caminha o presidente Temer.

O PMDB investigado significa aproximar o enrosco da Lava Jato de Temer. Mas será provavelmente muito mais do que isso. Trata-se do maior partido do Brasil. O que tem mais prefeitos e vereadores. Partido que de certa forma é a cara da política brasileira. Uma política feita de conveniências. De ambiguidades. O PMDB é um partido que, desde a redemocratização, quase sempre esteve lá, no poder. Uma sigla camaleônica. Partido-ônibus comandado por “caciques”. Esteve com o PT. Com o DEM. Está com o PSDB. Nunca se cerca de fato o PMDB, pois este não existe enquanto identidade partidária única. Tem o PMDB de Temer. O de Renan. O de Sarney. O de Barbalho. O de Jucá. Tinha o de Cunha e o de Cabral.

Tudo isso em um momento em que a economia não dá sinais concretos de recuperação. A não ser pelas chamadas “expectativas” do mercado. Estas, porém, não enchem a barriga de ninguém. O povo tem pressa. E raiva. As manifestações de servidores no Rio de Janeiro, com salários atrasados e aposentadorias sob risco, podem ser um preâmbulo do que virá por aí Brasil afora. Espécie de tempestade perfeita que se aproxima quando no topo da hierarquia política não há ninguém em quem a população possa se espelhar. Ou confiar, sobretudo em tempos de propalados sacrifícios.

Ao escarafunchar o PMDB, a Lava Jato, ao menos o seu braço de Curitiba, se aproxima daquele que parece ser, afinal, e há algum tempo, seu objetivo estratégico. A demolição do sistema político brasileiro tal e qual o conhecemos. Talvez em breve será o caso de perguntar: e para colocar o que no lugar? A ver.

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Imagem:Fernando Frazão/Agência Brasil

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