Projeto de poder do PMDB faz escala na cadeia

Josias de Souza

17/11/2016 16:13

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O PMDB é uma locomotiva à procura de um itinerário. Havia estruturado no Rio de Janeiro algo muito parecido com um projeto de poder nacional. Nesse vagão, espremiam-se cinco pajés: Sérgio Cabral, Eduardo Paes, Eduardo Cunha, Luiz Fernando Pezão e Jorge Picciani. Cabral, Paes e Cunha cultivaram ambições presidenciais, cada um à sua maneira e ao seu tempo. Hoje, o projeto faz baldeação em duas estações. Nenhuma delas conduz ao sonho presidencial. Numa, o PMDB fluminense encontra-se com a ruína fiscal que produziu. Noutra, o projeto foi empurrado para um estágio na cadeia.

Preso na manhã desta quinta-feira, Sérgio Cabral sonhou com o Planalto na época em que vendeu aos cariocas duas sensações frágeis e passageiras: a impressão de segurança proporcionada pelas Unidades de Polícia Pacificadora e a ficção de prosperidade vitaminada por empréstimos temerários e verbas federais enviadas por Lula. Tudo isso foi dissolvido numa mistura de inepcia e corrupção.

Hospedado no PF’s Inn de Curitiba, Eduardo Cunha construiu uma ficção presidencial imaginando que costuraria seu futuro por dentro do Congresso. Derrubaria Dilma em 2016, assistiria à cassação de Temer em 2017, no julgamento das contas apodrecidas de campanha no TSE. Na sequência, seria carregado até o Planalto por sua infantaria parlamentar, numa eleição indireta com previsão constitucional. A ambição financeira transformou Cunha numa baleia dentro de uma banheira. O personagem fritou-se em sua própria gordura.

Eduardo Paes também foi visto como pseudo-opção nacional do PMDB. A impressão de que o prefeito, um ex-tucano, poderia voar para o governo do Estado e, dali, para Brasília foi potencializada pela conversão da cidade do Rio num canteiro olímpico de obras. Mas Paes não conseguiu nem mesmo colocar um successor no segundo turno das eleições municipais. Hoje, flerta com a ideia de trocar de partido. O PMDB virou legenda tóxica. Com o futuro atrás das grades, o partido administra um presente que está condicionado à capacidade do governo Temer de aprovar reformas impopulares e ao poder de destruição da delação da Odebrecht.


Temer: Previdência deixa Brasil ‘fora do planeta’

Josias de Souza

17/11/2016 04:47

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A exemplo do que fizera com os deputados, Michel Temer recebeu os senadores governistas para um jantar no Palácio da Alvorada. Reiterou o apelo em favor da aprovação da PEC do teto dos gastos. E adubou o terreno para a próxima colheita legislativa: a reforma da Previdência. Sem ela, declarou Temer, ”o Brasil está fora do planeta.”

“Vai ser difícil? Vai, mas creio que já há uma consciência nacional. As pesquisas revelam que ela é indispensável. Não há como fugir dela, até porque estamos fora do planeta, porque os outros países têm regras de natureza previdenciária diversas das nossas e já admitidas. Sequencialmente, é claro, precisamos ir para uma reformulação de natureza trabalhista.”


Defesa de Claudia Cruz amarra corda no pescoço do seu marido Eduardo Cunha

Josias de Souza

17/11/2016 03:28

Nenhum outro acusado da Lava Jato se defendeu tão mal tão bem quanto a mulher de Eduardo Cunha, Claudia Cruz. Intimada, compareceu à audiência com Sérgio Moro. De saída, informou que não responderia senão às perguntas formuladas por seu advogado. Foi ensaiada para o papel de dondoca alienada, capaz de torrar US$ 1 milhão em compras de luxo, como apontado nos autos, sem se preocupar com a origem do dinheiro. Com sua defesa, conseguiu provar apenas que é uma ré indefesa. E ainda amarrou uma corda no pescoço do marido, hospedado no PF’s Innde Curitiba.

Acusada de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, Claudia Cruz disse que não sabia que seu supercartão de crédito estava vinculado a uma conta secreta no estrangeiro. Espanto! Só acordou para a existência da conta quando ela foi bloqueada pela Justiça, em 2015. Pasmo!! Sim, é verdade, assinou “vários papéis.” Entretanto, “se era de um cartão ou de uma conta, eu não sei.” Estupefação!!! Quem lhe deu os documentos para assinar? “Meu marido.” Hummmmm…

A certa altura, o advogado quis saber se Claudia, como jornalista, não teve a curiosidade de perguntar ao marido de onde vinha tanto dinheiro. E ela: “Veja bem, em casa eu não era jornalista, eu era a Claudia e ele meu marido. Eu era mãe dos filhos e ali não tinha ninguém fazendo entrevistas ou perguntando, nem nada. Eu era apenas esposa e mãe.” O doutor caprichou na cena: E a senhora acreditava nisso? Esposa de mostruário, Claudia sapecou: “Sim, eu não tenho motivo para desconfiar.”

Em algum momento, a defesa rota de madame irá cruzar com as alegações esfarradas de Cunha. Mesmo depois de preso, o marido-provedor sustenta a versão segundo a qual não possui propriamente contas no exterior. É um mero beneficiário de aplicações feitas em seu nome por um trust, organização que gere o patrimônio de terceiros. Não recebeu verba suja da Petrobras. Não, não. Absolutamente! Fez fortuna no comércio exterior e no mercado financeiro. Decerto incluirá nas alegações finais a última do papagaio.

Sempre que o noticiário o acusava de corrupção, “o Eduardo ficava muito bravo, com muita raiva, socava a mesa, e eu, idem”, disse a esposa modelo na audiência convocada por Moro. “Nesses momentos, ele sempre repetia: o meu dinheiro é lícito.” Em franco processo de autocombustão, Claudia Cruz deixou as autoridades em dúvida. Não sabem se ela é uma inocente culpada ou uma culpada inocente. Mas uma coisa é certa: ficou demonstrado que o cônjuge é o verdadeiro sexo oposto. Aproximou o marido do forca. Fez isso por falta de opção.


Vodu!

Josias de Souza

17/11/2016 00:02

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– Charge do Paixão, via ‘Gazeta do Povo’.


Todos somos iguais… perante a dívida pública

Josias de Souza

16/11/2016 22:22

A loucura tem razões que a sensatez desconhece. Um grupo de cerca de 50 pessoas invadiu o plenário da Câmara. Os manifestantes quebraram uma porta de vidro. Apossaram-se da Mesa Diretora. Gritaram o nome de Sérgio Moro. Assim, meio na marra, monopolizaram as atenções. Puderam, então, dizer o que desejam. Coisas como a volta da ditadura e a abertura de um tribunal militar para julgar corruptos.

Não era propriamente uma manifestação. Tratava-se de um atentado contra a lógica. Fora de si, os revoltosos mostraram o que têm por dentro. Rodrigo Maia (DEM-RJ), o presidente da Câmara, mandou prender os invasores. Logo estarão soltos. Pena! Deveriam ser condenados a frequentar aulas de iniciação à civilidade.

Talvez aprendessem a diferença entre democracia e ditadura. Na democracia, os insatisfeitos gritam insanidades dentro do prédio do Legislativo. Na ditadura, se perguntarem o que acham do Brasil, terão de responder, sem hesitação: “Não posso me queixar.”

Invadir a Câmara para pedir ditadura é atentado

Josias de Souza

16/11/2016 19:03

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Faltou quórum para votar o fim do foro privilegiado em comissão do Senado

Josias de Souza

16/11/2016 15:26

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A Comissão de Constituição e Justiça do Senado deveria votar nesta quarta-feira o projeto que extingue o chamado foro privilegiado para políticos e autoridades. Faltou quórum. O colegiado tem 27 membros. Para que a sessão fosse aberta, pelo menos seis precisariam comparecer. Não deram as caras. Normalmente, costuma-se conceder a eventuais retardatários uma tolerância de meia hora. Dessa vez, a coisa foi cancelada a toque de caixa. Tudo parecia programado para não dar certo.

Pressionando aqui, você chega à galeria de senadores que integram a CCJ —titulares e suplentes. A proposta que ninguém parece muito interessado em votar, permanece na pauta. O autor é o senador Alvaro Dias (PV-PR). O relator é Randolfe Rodrigues (Rede-AP). A próxima reunião da Comissão de Constituição e Justiça está marcada para quarta-feira da semana que vem.

A presença de ex-figurões como Eduardo Cunha na cadeia e episódios como a prisão do ex-governador e ex-deputado Anthony Garotinho, hoje sem o escudo do foro privilegiado, funcionam como estímulos para a ausência dos senadores. Suas Excelências talvez precisem de um empurrão. Em ocasiões assim, a ira do eleitorado costuma surtir efeito.


Temer: ‘Se detenção de Lula vier após condenação, não haverá o que objetar’

Josias de Souza

16/11/2016 04:57

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Em conversa com o blog, Michel Temer esclareceu o que pensa sobre uma eventual ordem de prisão de Sergio Moro contra Lula. “Se a prisão vier depois de uma condenação, não haverá o que objetar”, declarou. Em entrevista veiculada pela TV Cultura na noite de segunda-feira, Temer dissera que a detenção de Lula causaria instabilidade ao governo e ao país. Foi criticado em artigo veiculado aqui. E achou conveniente explicar que se referia à provável reação de movimentos sociais a uma prisão temporária ou preventiva de Lula, sem sentença condenatória. “Evidentemente, se lá para a frente houver uma condenação judicial e Lula for detido em função dessa condenação, acabou”, disse.

Eis o que declarou Temer ao blog: “O que se fala muito hoje é que o Lula pode ser preso pelo Moro de forma temporária ou preventiva. Na entrevista, entendi que a pergunta era sobre isso. Respondi: se ele for processado, isso deve seguir com muita naturalidade. Agora, se ele for preso —eu quis dizer neste momento—, isso cria problema para o governo, porque alguns movimentos sociais que fazem objeção ao meu governo vão sair às ruas. Hoje, depois de seis meses, está passando um pouco aquela onda do ‘Fora, Temer’. Só agora está começando a passar. Se prender o Lula, o que vai acontecer? Essa foi a minha resposta, com muita franqueza: vai criar problema, instabilidade. Mas, evidentemente, se lá para a frente houver uma condenação judicial e Lula for detido em função dessa condenação, acabou.”

O repórter perguntou ao presidente se ele receberia com naturalidade a prisão de Lula como resultado de uma sentença condenatória do juiz Sergio Moro, ratificada pela segunda instância do Judiciário. E Temer: “Claro que sim. Convenhamos, sendo da área jurídica eu jamais me atreveria a dizer que alguém condenado não pode ser preso. Se a prisão vier depois de uma condenação, não haverá o que objetar. Nem poderia.”

Temer esclareceu também por que evitou responder, na entrevista exibida na segunda-feira, se concorda ou não com a ideia de anistiar o crime de caixa dois. “Eu não falava como Michel Temer naquela entrevista, mas como presidente da República”, disse. “Tenho como tese não influenciar nas questões do Parlamento, a não ser quando há interesse do governo. Faço muita distinção entre teses do governo e teses da sociedade. As teses da sociedade são versáveis pelo Congresso. Nas teses do governo, como a PEC do teto e a reforma da Previdência, nós entramos para valer.”

Temer prosseguiu: “Quando me perguntaram sobre o caixa dois, eu disse: não interfiro. Por quê? Se eu dou uma opinião desde já, quando surgir a hipótese de sanção ou veto, já estou comprometido com a opinião que eu dei, sem ter uma discussão final do Congresso Nacional. Tenho uma cautela extraordinária, até um pouco exagerada em relação a isso. Quero evitar qualquer espécie de autoritarismo do tipo: ‘eu estou decidindo assim ou assado’. Então, na entrevista, quando me perguntaram sobre esse tema, eu disse: Isso é uma questão do Congresso. Evidentemente, se isso for por lei, virá para mim, para sanção ou veto. Num momento posterior, vou fazer minha avaliação.”

Pode-se concluir, então, que não há uma decisão de sua parte sobre vetar ou não uma eventual anistia para o caixa dois?, indagou o repórter. “Sim, é isso”, respondeu Temer. “Não posso falar agora, para não influenciar. Vão dizer no Congresso que estou me metendo. Quando for o caso, e se for o caso, examinarei o que vou fazer.”

O presidente avalia que ainda não há clareza quanto ao que será aprovado pelo Congresso. Reconhece que “uma anistia ampla geral e irrestrita poderia ser mal recebida.” Mas pondera: “Percebo pelos advogados, meus colegas criminalistas, que a interpretação que mais está correndo, é a ideia de que o direito penal não retroage. Então, se hoje você tipifica como crime o caixa dois, significa que no passado ele não se aplicava. Essa é uma hipótese. Uma segunda hipótese é fazer a distinção entre aqueles que receberam efetivamente caixa dois, para a campanha, e os que receberam caixa dois como propina. Isso é uma coisa diferente. Acho que a tendência poderá ser essa da irretroatividade da legislação penal.”

O repórter insistiu: Não dá para dizer que, se vier a anistia, haverá um veto? Temer preferiu manter o suspense: “Não posso dizer. Tenho adotado um comportamento que tem dado muito certo. Nosso governo é quase um governo parlamentar. Na democracia, você tem que usar o Parlamento. A minha grande vantagem, penso eu, é ter uma boa relação com o Parlamento. Veja o caso da votação da PEC do teto na Câmara. Pela primeria vez, aprovou-se uma emenda à Constituiçao sem nenhuma modificação. Foi aprovada com 366 votos, quando os votos necessários são 308. Agora, está no Senado. Já foi aprovado na Comissão de Consttuição Justiça, com muita tranquilidade. Vai para a votação no plenário. De modo que estou sempre, nessa matéria de anistia, pisando em ovos. Tem que estudar. Não posso nem quero dizer nada que possa agredir o Congresso.”

É correto dizer que não há decisão de sua parte quanto ao veto? Sim. Até evito esse assunto. Quando alguém vem falar comigo, eu evito. Precisamente para que ninguém saia da minha sala dizendo: ‘olha, o Temer disse isso ou aquilo. É diferente ser presidente da República e deputado. Tenho de prestar muita atenção para o que eu falo.”


Rio requisita Força Nacional para manter ordem

Josias de Souza

16/11/2016 00:02

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O governador fluminense Luiz Fernando Pezão requisitou ao ministro Alexandre Moraes (Justiça) o envio de um efetivo de 500 soldados da Força Nacional para assegurar a manutenção da ordem pública no Rio de Janeiro durante o processo de votação do pacote anticrise na Assembléia Legislativa do Estado. Por ordem de Michel Temer, o pedido foi atendido. Os soldados permanecerão no Rio por pelo menos 15 dias.

O pedido de socorro de Pezão escancara as dificuldades do governador com as forças de segurança do Rio, em pé de guerra contra o pacote fiscal editado para tentar atenuar a falência do Tesouro estadual. No ofício endereçado à pasta da Justiça, Pezão anotou que pediu ajuda por conta da “insuficiência de meios e esgotamento dos instrumentos destinados à preservação da ordem pública, da incolumidade das pessoas e do patrimônio.”

A ideia é que a tropa da Força Nacional ajude a Polícia Militar do Rio a garantir a segurança na área ao redor da Assembleia Legislativa, que inicia o processo de discussão e votação do pacote anticrise nesta quarta-feira. Servidores públicos ativos e aposentados organizam protestos.

O Ministério da Justiça divulgou na noite desta terça-feira uma nota. Vai abaixo a íntegra:

AspasPequenasHoje, 15/11/16, o governador do Estado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando de Souza, solicitou ao Ministério da Justiça e Cidadania o apoio da Força Nacional naquele Estado, com o objetivo de apoiar na preservação da ordem pública, por ocasião das medidas de ajustes propostas pelo Poder Executivo estadual,e que já ocasionou graves transtornos à segurança pública do Estado.

Dessa forma, o ministro Alexandre de Moraes autorizou o deslocamento imediato de um efetivo da Força Nacional para a cidade do Rio de Janeiro a fim de atender ao solicitado, por um prazo inicial de 15 dias.


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