Confira reações nas redes sociais após o vazamento da carta de Michel Temer para Dilma

PUBLICADO EM 08/12/2015 ÀS 7:23 POR EM NOTÍCIAS

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As redes sociais ficaram movimentadas após o vazamento de uma carta enviada pelo vice Michel Temer (PMDB) a presidente Dilma. Em tom de desabafo e de críticas, Temer aponta “fatos reveladores” da desconfiança que o governo possui em relação a ele e ao PMDB.

Veja algumas reações:

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Marília Pêra dominou teatro com técnica e fama de difícil nos bastidores

 

Marília Pêra dominou teatro com técnica e fama de difícil nos bastidores

Miguel Arcanjo Prado
Colaboração para o UOL

05/12/201516h25

Veja imagens da vida e da carreira de Marília Pêra37 fotos

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11.ago.2015 – Marília Pêra é homenageada no tapete vermelho da 43º Festival de Cinema de Gramado Leia mais Edison Vara/Agência Pressphoto

A notícia da morte de Marília Pêra aos 72 anos neste sábado (5) deixa o teatro brasileiro de luto. Apesar de conhecida do grande público pelos papéis marcantes na televisão e no cinema, foi nos palcos que ela começou e permaneceu toda sua vida, tanto à frente da cena quanto nos bastidores.

Sua primeira peça foi com apenas 19 dias de vida, emprestada por sua mãe a uma amiga atriz que precisava de um bebê em cena, como gostava de contar. Mas pisou no tablado por vontade própria com apenas quatro anos, já integrante da companhia de Henriette Morineau, Os Artistas Unidos, onde era colega de elenco dos próprios pais, os atores Manuel Pêra e Dinorah Marzullo. Pequenina, viajou o Brasil em turnês que marcaram sua vida, aprendendo o ofício artístico na prática diária do palco e da coxia.

No teatro, Marília Pêra foi diva absoluta até o fim, prezando por aliar sempre talento a uma técnica precisa, sem, com isso, despir de alma as personagens que interpretava. Marília fez de tudo nos palcos, sempre surpreendendo seu público com construções arrebatadoras de personagens. Fez teatro comercial e político, experimental e dramas clássicos. Jamais teve medo de inovar.

Assim foi em sua última peça, o musical “Alô Dolly!”, em 2013, montado em sua homenagem pelo amigo Miguel Falabella, diretor e parceiro de cena que deixou que Marília brilhasse em cada aparição no palco. Ela era o centro da montagem, com vitalidade ímpar aos 70 anos e executando com maestria as coreografias criadas por Fernanda Chamma. Marília tinha mais fôlego que o jovem elenco com o qual contracenava.

Cristiano Mascaro

A atriz Marília Pêra em cena da peça “Roda Viva”, que levou à sua prisão pela ditadura militar, nos anos 60

Perseguida pela ditadura

Sua coragem também chamou a atenção do público e da crítica no fatídico ano de 1968, quando esteve no elenco do polêmico musical “Roda Viva”, escrito por Chico Buarque e reinventado no palco pela genialidade de José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, com o Teatro Oficina. O espetáculo foi perseguido ao ponto de ter atores espancados e presos, entre eles Marília, que chegou a ter sua casa invadida pelos militares à época da tenebrosa ditadura civil militar que atormentava o Brasil.

Por ter muita dedicação a tudo que fazia, Marília sempre foi muito exigente de seus atores, produtores e diretores. Não aceitava nada que não fosse o máximo, o que lhe deu fama de difícil nos bastidores do mundo artístico.

Mas ela sabia por que exigia tanto. Afinal, teve a sorte ao poder desfrutar do convívio íntimo com o talento dos grandes de seu tempo. Em 1962, por exemplo, integrou o coro do musical “Minha Querida Lady”, protagonizado por Bibi Ferreira. No ano seguinte, em 1963, já vivia ninguém menos do que Carmen Miranda em “O Teu Cabelo Não Nega”, personagem que lhe acompanharia por toda a carreira.

Com a instauração do regime de exceção no Brasil em 1964, logo Marília, destemida, se aliou ao teatro político. Foi assim que fez a “Ópera dos Três Vinténs”, de Beltolt Brecht, produzida por Ruth Escobar e dirigida por José Renato, ainda em 1964. Em 1966, fez “Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come”, de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar, com o Grupo Opinião. Mesmo perseguida, jamais abriu mão de sua opinião.

Presença nos palcos

Em 1969, é consagrada com todos os prêmios de melhor atriz, entre eles o APCT (atual APCA), Governador do Estado e Molière por sua atuação em “Fala Baixo Senão Eu Grito”, de Leilah Assumpção. Mesmo cada vez mais famosa e requisitada pela TV, Marília não abandona o teatro. Muito pelo contrário, intensifica sua presença nos palcos, muitas vezes produzindo suas próprias peças.

Em 1973, ganhou novamente o Molière de melhor atriz por “Apareceu a Margarida”, de Roberto Athayde, com direção de Aderbal Freire-Filho. Em 1976, voltava a arrebatar plateias com “Deus lhe Pague”.

Em 1978 assume nova função, convidada pelos então jovens atores Miguel Falabella e Maria Padilha: dirige o infantil “A Menina e o Vento”, de Maria Clara Machado. Nos anos 1980, mergulha nas comédias e passa a dirigir cada vez mais. É dela o comando da peça “O Mistério de Irma Vap”, que estreou em 1986 e foi sucesso de público por 11 anos com atuação de Marco Nanini e Ney Latorraca.

Em 1989, ela criou polêmica com os colegas do teatro ao apoiar o candidato à Presidência Fernando Collor. Com a derrocada pública do político, alvo de impeachment em 1992, resolveu não mais falar de política.

Personalidade forte

Em 1996, viveu a diva Maria Callas na peça “Master Class”. Em 1998, fez “Toda Nudez Será Castigada”, de Nelson Rodrigues. No século 21, continuou requisitada. Fez sucessos como “Mademoiselle Chanel”, em 2004, e “Gloriosa – A Vida de Florence Foster”, em 2008, quando interpretava uma cantora desafinada que desconhecia sua inaptidão.

Dona de forte personalidade, Marília Pêra conseguiu dominar sua própria carreira, sempre optando pela liberdade para escolher as personagens que mais lhe interessassem. Enfrentou poderosos com suas recusas, jamais admitindo ser destratada ou rebaixada diante de sua trajetória. Afinal, Marília sabia que havia desenhado para si um caminho artístico único e inesquecível na arte dramática brasileira. Sabia a força que tinha. É por isso que, com sua partida, o teatro brasileiro fica mais fraco.

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Familiares e amigos se despedem de Marília Pêra com flores e aplausos65
Claudia Dias e Ana Cora Lima
Do UOL, no Rio 05/12/201513h42 > Atualizada 05/12/201518h16
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Amigos e familiares se despedem de Marília Pêra em velório no Rio26 fotos 23 / 26
5.dez.2015 – Caixão de Marília Pêra chega ao Cemitério São João Batista, em Botafogo, no Rio de Janeiro Ana Cora Lima /UOL
Familiares e amigos de Marília Pêra foram neste sábado (5) ao Teatro Leblon e ao Cemitério São João Batista, no Rio, para prestar as últimas homenagens à atriz, que morreu aos 72 anos depois de anos de luta contra o câncer. O corpo de Marília foi velado no palco da sala do teatro que leva seu nome, entre 14h30 e 16h30. Ao final do velório, as cortinas se fecharam e a atriz foi aplaudida pelos amigos.

O enterro ocorreu pouco depois das 17h, no cemitério em Botafogo, em uma cerimônia rápida e fechada apenas para pessoas mais próximas à família e sem acesso a fãs ou à imprensa. Próximas ao túmulo, a irmã Sandra Pêra e a amiga Arlete Sales acompanharam o enterro emocionadas. A filha Nina Morena foi amparada pelo pai, Nelson Motta.

Como no fim do velório, os amigos e familiares se despediram com uma salva de palmas ao final do enterro. O filho Ricardo Graça Mello colocou uma rosa vermelha sobre a sepultura. Cerca de 40 coroas de flores enfeitaram o túmulo simples, feito de mármore branco. Depois que todos foram embora, a atriz Cássia Kis Magro ficou no local, rezando e acariciando as flores.

Velório na Sala Marília Pêra
Antes mesmo da chegada do corpo ao local do velório, no começo da tarde colegas da TV já se reuniam no local para se despedir da atriz. Luma Costa, com quem contracenou na série “Pé na Cova”, foi uma das primeiras a chegar, muito emocionada. “Difícil para mim falar de Marília. Faço sua filha em ‘Pé na Cova’ e tínhamos esse carinho também fora das telas. Ela é minha inspiração e minha diva”, disse chorando.

A irmã, Sandra Pêra, também chegou ao velório chorando. “O que Marília Pêra me ensinou? O amor, meu tudo. Ainda está muito difícil viver sem ela”.

AgNews

Miguel Falabella no velório de Marília Pêra
Muito emocionado, Miguel Falabella lamentou a morte da amiga e contou que Marília não falava nem com ele sobre sua doença e que faziam planos para o futuro. “Eu perco uma companheira de cena, de vida, de tudo. É muito, muito, muito triste. Eu larguei o espetáculo em São Paulo e vim porque eu não podia não me despedir dela. Nós tínhamos uma relação muito estranha, muito amorosa, mas ela não falava da doença comigo. Então eu respeitava e preferia fazer planos para o futuro com ela. ‘Vou escrever uma série para você’, para animá-la, né? Ainda que a gente soubesse que o quadro era grave”, disse o artista aos jornalistas no Teatro Leblon, Zona Sul do Rio.
O ator Murilo Rosa contou que estava a caminho de sua fazenda, no interior, quando a mulher viu a notícia na internet. “Eu fiquei tão chocado que na mesma hora eu voltei e vim aqui prestar uma homenagem à família. A família é muito minha amiga, eu sou muito amigo dos filhos. Trabalhei com ela em 1997, no início da minha carreira e vim aqui tentar amenizar o sofrimento da família”.

A escritora Nélida Pinon declarou à GloboNews que gostaria de ver o velório da amiga na Assembleia Legislativa ou no Teatro Municipal. “Porque ela é do povo brasileiro. Ela não é só do teatro, só da televisão, ela é da arte de um país que precisa de pessoas como ela. Marília herdou o legado dos pais e deixa agora esse patrimônio para as novas gerações”.

Claudia Jimenez disse que o Brasil perdeu “a melhor atriz que já teve”. “Eu perdi uma amiga e uma colega, né? E o Brasil perdeu, sem dúvidas, a melhor atriz que esse país já teve. E eu acho que o público brasileiro tem que agradecer de ter assistido a Marília, crescer com a Marília, como foi meu caso. Ela era uma referência para a gente, para a nossa geração. Mas ela descansou, vamos aplaudi-la agora”.

“Perdi uma companheira, uma estrela maravilhosa e uma amiga querida”, declarou Arlete Sales.

Cássia Kis Magro destacou a importância de Marília para a classe dos atores: “Ela deixou tudo o que há de bom para a nossa profissão. Foi a maior. Uma dama com d maiúsculo”.
Saudade, muita saudade. E pena que a gente não vai contracenar mais, a gente contracenou várias vezes. É uma pessoa amada, muito talentosa. Bailarina, cantora, atriz. Uma estrela, uma estrela que vai fazer falta

Stênio Garcia

O talento e a versatilidade de Marília Pêra também foram destacados por Stênio Garcia: “Saudade, muita saudade. E pena que a gente não vai contracenar mais, a gente contracenou várias vezes. É uma pessoa amada, muito talentosa. Bailarina, cantora, atriz. Uma estrela, uma estrela que vai fazer falta”.

“Uma mestra. Por onde passou, não só fez com eficiência, perfeição, arte e talento, mas ensinou muita gente a amar e respeitar a carreira o trabalho artístico. Ela fez o que tinha que fazer. Fez para ela e fez para todo mundo. É uma grande perda, mas acima de tudo é uma lembrança maravilhosa poder fazer parte dessa geração”, disse Marcos Frota.

Chorando, Lilia Cabral disse está sendo muito difícil acreditar que Marília se foi. “Não tínhamos que perder pessoas tão especiais e brilhantes como Marília Pêra. Foi um susto muito um susto muito grande para o Brasil acordar com essa notícia. Não existe ninguém nesse país que não conheça Marília Pêra. Temos ela como nosso exemplo de artista e ninguém irá substituí-la. Minha trajetória de vida foi assistindo Marília no teatro. Eram aulas intensas, e cada vez um prazer”.

Muito abalada, Silvia Pfeiffer lamentou não ter contracenado com a atriz. Marília já a dirigiu no teatro, mas as duas nunca encenaram juntas. “Ela tinha um amor tão grande de representar no teatro, cinema e televisão. Fez um trabalho lindo e temos muito que ficar felizes por isso. Agora Marília está em paz”.

“Dois momentos que sentimos que o nosso coração bate forte: o luto e o agradecimento. Estamos de luto por Marília, mas também a agradecemos por tudo. Temos que a aplaudir de pé”, disse Marcos Caruso.

 

Ceni diz que corrupção na CBF reflete país e sugere renúncia de Dilma

Guilherme Palenzuela
Do UOL, em Goiânia

06/12/201506h00

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No início da noite de sábado, o goleiro Rogério Ceni concedeu entrevista em Goiânia na qual revelou que chorou nos últimos dias pela tristeza pela aposentadoria e avaliou que seria “egoísmo” jogar o último jogo do Brasileirão machucado. Ceni, também, falou sobre temas políticos, e disse acreditar que os episódios de corrupção que atingiram a Confederação Brasileira de Futebol e o São Paulo em 2015 são reflexos do momento político do país, que, para ele, tomaria melhores rumos em caso de renúncia da presidente Dilma Rousseff (PT).

Na última quinta-feira o presidente da CBF Marco Polo Del Nero foi indiciado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusado de corrupção, após a divulgação de uma nova etapa da investigação que culminou na prisão do ex-presidente da entidade José Maria Marin. Há pouco menos de dois meses, o ex-presidente do São Paulo Carlos Miguel Aidar renunciou ao cargo após denúncias de desvio de dinheiro dos cofres do clube – até aqui não comprovadas. Para Ceni, tais cenários do futebol brasileiro refletem a política nacional.

“A situação política da CBF nada mais é que um reflexo da situação do nosso país. Aquela sensação de impunidade, de que se pode tudo. Mas tenho a sensação de que isso está mudando. Hoje você já vê político corrupto preso, empresário corrupto preso, milionário preso… Acho que isso era algo impensável há 20 anos. Temos que fazer algo. Principalmente as pessoas que podem mudar o futuro do país, de recuperar 13 anos jogados no lixo da política brasileira. Talvez demore cem anos para recuperar, mas eles têm a oportunidade de fazer isso por voto, decisão deles mesmo para colocar o país em um rumo correto”, falou Ceni, em Goiânia.

No cenário nacional, Dilma Rousseff viu o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), acolher na última quarta-feira o principal pedido de impeachment protocolado por partidos de oposição, que abriu o processo que poderá ou não afastar a presidente de suas funções. Ao comentar a renúncia de Carlos Miguel Aidar da presidência do São Paulo após a divulgação dos supostos casos de corrupção que desmantelaram sua base aliada, Ceni sugeriu que Dilma Rousseff siga o mesmo caminho.

“Infelizmente, às vezes, o sistema corrompe pessoas, muda as pessoas. Faz parte, infelizmente. Fez parte, infelizmente. Mas esse ano e meio de administração não pode ser um paralelo ao que é o São Paulo de 85 anos. Aconteceram fatos isolados que ainda hoje não sei dizer, porque nada foi provado ainda. Eu como atleta, torcedor e cidadão, quero desenrolar de tudo isso para saber o que aconteceu. Não podemos julgar, mas pelos detalhes dados, foram erros administrativos como todo o sistema político deste país. E tomara que também seja corrigido. Aqui aparentemente mostra isso, porque foi interrompido um mandato. E que o Brasil siga o mesmo caminho. Constatamos algo errado e houve a denúncia. Quem sabe a Dilma não aproveita o mesmo caminho…”, falou o goleiro.

Fora daquele que seria seu último jogo oficial como jogador de futebol, neste domingo, contra o Goiás, Rogério Ceni viajou a Goiânia com a delegação do São Paulo para se concentrar pela última vez antes da aposentadoria, mesmo sem condições de jogo devido a uma lesão ligamentar no tornozelo direito. Aos 42 anos, Rogério Ceni já fez seu último jogo profissional e agora só entrará em campo mais uma vez pelo São Paulo: na sexta-feira, no Morumbi, em sua festa de despedida que contará com amistoso entre jogadores e ex-jogadores campeões mundiais pelo clube em 2005 e no período comandado por Telê Santana, em 1992 e 1993.

O São Paulo joga neste domingo contra o Goiás às 17h, no Serra Dourada, e precisa de um empate para garantir a quarta posição na tabela final e, consequentemente, a vaga para a próxima edição da Copa Libertadores – desde que o Internacional não vença o Cruzeiro por sete gols ou mais de diferença. Caso seja derrotado pelo Goiás, o São Paulo terá de torcer para que o Internacional não vença o Cruzeiro no Beira-Rio, no mesmo horário.

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São Paulo chega a Goiânia para última partida no Brasileirão5 fotos

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Em chegada do São Paulo a Goiânia, para última partida da equipe no Brasileirão, goleiro Rogério Ceni concede autógrafos a torcedores Guilherme Palenzuela/UOL

Defesas de Rogério Ceni – 10 vídeos

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O golpe do Facebook

A empresa de Zuckerberg tenta criar um monopólio mundial da comunicação, informação e jornalismo
por Antonio Luiz M. C. Costapublicado 12/05/2015 04h50, última modificação 09/06/2015 16h09

Dilma Rousseff e Mark Zuckerberg

Mr. Facebook transforma chefes de estado em tietes. Mas o Vale do Silício não merece mais confiança que Wall Street

Um aspecto peculiar da Cúpula das Américas no Panamá, dias 10 e 11 de abril, foi o papel do presidente do Facebook, Mark Zuckerberg. O jovem executivo (30 anos) circulou pela reunião dos chefes de Estado como se fosse mais um deles ou pelo menos como um presidente do Banco Mundial, não como mais um participante do fórum empresarial paralelo. Chegou a invadir, por engano, uma reunião entre os presidentes do Panamá e República Dominicana.

Vários líderes, inclusive a brasileira Dilma Rousseff, o mexicano Peña Nieto, a argentina Cristina Kirchner, o peruano Ollanta Humala e o panamenho Juan Carlos Varela se fizeram fotografar ao lado
do executivo e com certeza julgaram isso positivo para a própria imagem. A oferta de “internet gratuita” do Facebook a países latino-americanos, a começar por Colômbia, Guatemala e Panamá, três dos governos mais conservadores do continente, recebeu quase tanta cobertura quanto a reconciliação entre Washington e Havana. Alguns se compraziam em considerá-lo representante de uma “nação” de 1,4 bilhão de usuários, maior que a China.

Aparentemente, a aura “libertária”, “democrática” e “revolucionária” da internet foi pouco abalada pelas revelações de Edward Snowden e Julian Assange. A NSA e suas similares, ou “o governo”, foram responsabilizadas por tudo de negativo ou duvidoso e as grandes empresas do Vale do Silício posaram como vestais escandalizadas, como se seu papel na operação não fosse essencial e consciente e seu uso político um subproduto inevitável. O ciberespaço continua a ser visto pelos usuários como um playground barato e inofensivo e seus empreendedores como gênios simpáticos e filantrópicos.

Seria mais sábio vê-lo como a versão atualizada da Terra dos Brinquedos do Pinóquio, de Carlo Collodi (ou a Ilha dos Prazeres da versão Disney), para onde crianças ansiosas para escapar do trabalho e dos estudos são levadas para uma sucessão de diversões gratuitas e inesgotáveis, mas ao cabo de algum tempo se
veem transformados em burros e nessa forma postos a trabalhar por supostos benfeitores revelados como exploradores inescrupulosos.

O mundo estará mais maduro quando as ofertas, propostas e produtos de um Facebook, um Google, uma Apple ou uma Microsoft forem recebidas com o mesmo ceticismo saudável com que o público encara a publicidade institucional da Standard Oil ou do Goldman Sachs. Quando esse dia chegar, porém, provavelmente será tarde demais e o Vale do Silício terá controlado corações e mentes de forma mais completa do que Wall Street e Hollywood jamais sonharam.

Como explica o especialista Evgeny Morozov no jornal britânico Guardian, o Facebook não é uma instituição de caridade. Está interessado em “inclusão digital” tanto quanto agiotas em “inclusão financeira”. O projeto internet.org fornece conexão “gratuita” por celular aos pobres da América Latina, África e Sudeste Asiático, mas apenas ao Facebook e pouca coisa mais (como a Wikipedia). Muitos dos que se tornaram usuários da internet nos últimos anos têm a impressão de que ela é a rede de Zuckerberg, mas para esses isso será estritamente verdade.

Isso é difícil de conciliar com o marco civil da internet que o governo brasileiro tanto se empenhou para aprovar em 2014. Para cobrar de Zuckerberg pelo acesso ao Facebook, as operadoras têm de acompanhar a navegação e guardar os dados de acesso, o que é proibido. Dar-lhe prioridade de tráfego viola a neutralidade da rede. O próprio princípio de fornecer conexão gratuita a determinados sites e cobrar pelo restante é de legalidade duvidosa. Se a regulamentação autorizar essa prática, pode esvaziar a lei de qualquer sentido.

Lembra a política da Microsoft de oferecer softwares gratuitos ou muito mais baratos a escolas, estudantes e serviços públicos para aprisionar usuários em seu sistema, a ponto de não cogitarem outro quando se tornassem consumidores ou empreendedores. Mas é muito mais. Além de condicionar a maneira de navegar na internet, o Facebook lucrará ao dispor dos dados pessoais e coletivos sobre esses usuários para vendê-los a empresas ou disponibilizá-los ao Estado e monopolizar a atenção desse público melhor que qualquer rede de TV. 

Como sabe quem já usou o Facebook, este tem a política de criar dependência para depois cobrar cada vez mais caro pela interação. Empresas e celebridades que chegaram a criar um público considerável na rede de repente descobriram que teriam de pagar para que seus “amigos” continuassem a ver suas mensagens. 

Ao mesmo tempo, a rede impõe regras arbitrárias. Uma delas é o veto a pseudônimos e duplas identidades. Zuckerberg alega ser tal prática “falta de integridade”, mas a verdadeira questão é garantir a real identidade dos usuários para que as informações sobre eles tenham maior valor. Assim como um pseudônimo pode ajudar a escapar da perseguição de um regime autoritário, permitiria driblar a curiosidade de um empregador ou seguradora sobre opiniões políticas, relações afetivas, consultas, exames, compras e percursos nas horas de lazer. Ou, quando bugigangas como o Apple Watch forem comuns, acompanhar seus batimentos cardíacos, pressão e dieta. Nunca as pessoas foram tão transparentes para governos e empresas – e, ao mesmo tempo, nunca essas instituições foram tão opacas para o público.

Os critérios de “moralidade” da rede, aparentemente arbitrários, seguem uma lógica igualmente comercial. Sua censura é conhecida por ignorar cenas de violência extrema, ameaças de morte e racismo explícito enquanto chega a extremos ridículos de moralismo como os de bloquear a foto histórica de uma indígena na página do Ministério da Cultura e uma reprodução de A Origem do Mundo, de Gustave Courbet, por um professor de arte. Não se trata de seguir qualquer ética coerente, mas de criar um ambiente no qual uma classe média puritana se sinta à vontade para navegar e empresários para anunciar.

As leis dão ao Facebook, como entidade privada, o privilégio de proibir conteúdos como bem entender. O problema é quando o monopólio prático do acesso a um meio de comunicação cada vez mais indispensável, principalmente se apoiado por convênios com governos nacionais, proporciona o controle de fato do espaço público. É como entregar a uma empresa privada a gestão de todas as ruas, praças, praias e parques e fazer da cidade um shopping à mercê das normas de comportamento dos proprietários, sem possibilidade de recurso à Justiça.

A ambição da rede é acostumar os usuários a recorrer a Zuckerberg para tudo e hospedar dentro de seus limites todo tipo de negócios. Quem quiser levar espetáculos, notícias, publicidade, educação, serviços ou vendas às massas terá de se entender com ele e aceitar suas condições.

No tocante à mídia e ao jornalismo, o plano é levar algumas das maiores empresas a se hospedar dentro da rede social. Espera-se que os primeiros a aceitar a proposta incluam The New York Times, BuzzFeed e National Geographic, talvez também The Times, Quartz e Huffington Post. Em troca de administrar sua própria publicidade e informações sobre leitores e espectadores, esses veículos dividiriam receita (e talvez dados) com Zuckerberg, que administraria sua publicidade. Mesmo em 2014, antes da concretização desses acordos ou dos planos de “internet gratuita”, o Facebook se tornou a principal fonte de notícias para uma fatia assustadora do público: 67% no Brasil, 57% na Itália, 50% na Espanha, 37% nos EUA.

Acreditar que isso não afetará os conteúdos é mera ilusão. Esses veículos teriam marca e identidade diluídas e teriam de se sujeitar à cultura e prioridades do Facebook, explicitadas por Zuckerberg a um jornalista que o questionou sobre os critérios dos algoritmos que decidem as notícias exibidas a cada usuário: “Um esquilo no seu jardim pode ser mais relevante para seus interesses atuais do que gente morrendo na África”. O público não quer ouvir sobre problemas alheios e sim de seus gostos e decisões cotidianas. Textos longos, principalmente se exigem algum esforço ou causam algum desconforto ao leitor, são menos úteis do que fofocas de celebridades, informações superficiais e engraçadas, fotos de gatinhos, dicas de consumo e problemas do cotidiano. Mais Beyoncé e menos Boko Haram.

Dada a possibilidade de definir o perfil individual do usuário, pode selecionar o tipo de notícia e informação conforme suas crenças e preferências. O Facebook é muito bom nisso. Testes mostraram que com analisar 70 “curtidas” na rede se pode conhecer o perfil de uma pessoa melhor que um amigo ou colega de quarto, com 150, melhor que um pai ou irmão e, com 300, quase tão bem quanto um marido ou esposa. Não só ele, como certeza: no Google, os interesses indicados por buscas anteriores decidirão se ao buscar por “Egito” o internauta encontrará informações turísticas, oportunidades de negócio, biografias de faraós ou detalhes sobre as últimas arbitrariedades da ditadura militar.

De certa forma, isso acontece com a mídia tradicional. Ao escolher uma revista e não outra, o leitor escolhe uma abordagem, um ponto de vista e uma temática. Mas isso envolve certo grau de escolha consciente e nada impede que, vez por outra, experimente outra publicação. Na rede, é a notícia que escolhe por quem será lida, e uma vez que o perfil do usuário se defina, suas oportunidades de escolha são, na prática, reduzidas. Depende apenas de Zuckerberg decidir se é mais lucrativo manter cada um em sua zona de conforto ou influenciar sutilmente suas opiniões na direção mais conveniente aos interesses dos controladores da rede. Nenhum ser capaz de refletir deveria estar disposto a reforçar seu monopólio e lhe dar ainda mais poder. Confiar numa empresa como essa para prestar um serviço essencial é tão sensato quanto entregar a gestão do Banco Central ao Goldman Sachs, a Petrobras à Exxon ou a polícia e Justiça a uma empresa de mercenários.