ZAP ! Voltei…ói eu aqui de novo, meio apagado, sem muito gosto, mas vamos lá…Julio

vou começar com esse texto do Rogério Jordão que peguei no Yahoo. Até porque, cortar verba do bolsa família proposto por um deputado aliado da Dilma só pode ser para levantar a bola para ela chutar, protestar e não deixar! É isso! Neymar, dá pra levantar a bola prá Dilma chutar pro gol?

Cortar verba do Bolsa Família não é economia, é crueldade

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Há alguns dias se ventila no noticiário a informação de que o relator do orçamento, um deputado do Partido Progressista (PP) do Paraná, quer cortar em R$ 10 bilhões a verba do Bolsa Família para o ano que vem. Se vingar – o que ainda depende de um longo trajeto para acontecer – significará cortar em um terço o orçamento total do programa, de R$ 28,5 bilhões.

10 bilhões do Bolsa Família, 6 milhões de conta na Suíça, 1 milhão de desvio. No noticiário os “bi” se juntam aos “mi” e aos centenas de milhares de reais, de forma que nós, simples viventes, achamos tudo muito.

Ora, os R$ 10 bilhões a menos do Bolsa Família vão melhorar as contas públicas? Se pensarmos que o Governo vem pagando este ano R$ 1 bilhão ao dia de juros, estamos falando aqui de sacrificar um programa social que atinge 50 milhões de brasileiros em troca de pouco mais de uma semana do que se paga aos bancos e instituições financeiras.

Em outras palavras: manter a assistência a 50 milhões de pessoas durante um ano ou pagar 10 dias de juros?

A pergunta não é tanto um programa político, apenas um contraste para que pensemos um pouco – para que nos dê algum tipo de régua para podermos dimensionar a dinheirama que salta do noticiário da TV. Para quem vive de salário, que está batalhando a conta do mês, é difícil, de fato, imaginar cifras econômicas que vão na casa dos quatro dígitos e além. Mas é preciso ficar atento: nem tudo o que reluz é (tão) ouro assim.

Não é dito diretamente, mas por trás da proposta de cortar o Bolsa Família está uma outra ideia, que resiste ao tempo e encontra eco em certo segmento (possivelmente minoritário) da opinião pública, de que o programa social é para sustentar “vagabundo”. É uma generalização que não se sustenta nos fatos.

Em 2008 participei, como assessor de imprensa, da análise e divulgação dos dados de uma pesquisa nacional que ouviu 5 mil titulares do cartão Bolsa Família, a maioria (93%) mulheres. Feita pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), 87% dos beneficiários entrevistados afirmaram que gastavam o dinheiro principalmente para comprar comida. A quase totalidade (99,5%) afirmou que não deixara de trabalhar (muitos no mercado informal) por conta do Bolsa Família. Três em cada quatro beneficiários encaravam a ajuda como temporária. De modo geral, o que o programa vinha fazendo era melhorar a alimentação das pessoas, com mais consumo de açucares, cereais, arroz e feijão. E ninguém tinha deixado de brigar por uma vida melhor.

Ou seja: pesquisas já mostraram que o Bolsa Família não afasta ninguém do trabalho, mas suplementa a renda de forma a melhorar principalmente a alimentação. Não é um programa revolucionário, pelo contrário, foi concebido, suas premissas, pelo Banco Mundial, tendo atravessado, em seus fundamentos, administrações tucanas e petistas. É antes de tudo um programa de mitigação da pobreza, nada mais, nada menos.

Cortar isto em nome de um suposto equilíbrio de contas públicas, não faz parte da lógica econômica, mas está no campo da crueldade. Digo suposto equilíbrio das contas públicas pois do ponto de vista fiscal – ou seja da relação entre a dívida pública e o PIB (tudo aquilo que o país produz) – a situação atual do Brasil não é dramática. Não reside aí o nó, de forma a que, daqui para frente, em nome do “equilíbrio” toda e qualquer iniciativa para se cortar direitos sociais venha a ser bradada ao vento como solução ideal. O telespectador precisa ficar atento aos jogos de interesse: ao que é fogo e o que é fumaça.

Ainda sobre o Bolsa Família, me lembro, alguns anos atrás, de fazer um trabalho de comunicação em uma pequena cidade no interior de Minas Gerais, divisa com a Bahia. O trabalho era sobre transparência de informações públicas. Falei com a população local nos postos de saúde, nas escolas. E também com o prefeito. Conversa vai, conversa vem, o prefeito diz, à boca miúda (pois se falasse em público talvez não se elegesse) que “esse Bolsa Família era um problema”. Eu perguntei por que. O prefeito se ajeitou na cadeira e respondeu: antes por qualquer 100 reais você encontrava quem capinasse o terreno, hoje, por causa do Bolsa Família, ninguém mais aceita esse valor, ninguém quer trabalhar. Pensei na hora: será que o prefeito aceitaria passar quatro dias capinando o terreno para ganhar 100 reais? Naquela cidade o efeito do Bolsa Família não parecia ser sobre a vadiagem, mas sobre a remuneração do trabalho, agora (ou naquela época) reajustada para cima. Havia algo de crueldade na fala do prefeito que pensava com a cabeça do fazendeiro, e não apenas razão econômica.

Por trás do debate do Bolsa Família há todo um Brasil que, em crise, vai empurrando o pêndulo social ora para um lado ora para o outro. Para onde apontará? Quem vai pagar pelo ajuste?

Siga-me no twitter! (@rogerjord)

Imagem:Senado Federal/Flickr

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