Boechat, Malafaia, Band, Zap, então tá. Julio

Boechat contra Malafaia: por que o jornalista não falou tudo?
DALMORO
DOM, 28/06/2015 – 09:4 – JORNAL GGN

por Daniel Gorte-Dalmoro

Alguns dias atrás, o jornalista Ricardo Boechat, em seu programa radiofônico matinal, mandou o pastor Silas Malafaia buscar rola, causando razoável frisson nas redes sociais, e proporcionando certo regozijo entre aqueles que abominam as posições defendidas pelos Arautos do Ódio, como o pastor. Contudo, para além desse pequeno gozo de vingança, de que serviu, qual a profundidade do desabafo de Boechat?

Escuto-o com alguma freqüência no rádio, visto que os comentaristas da rádio concorrente são intragáveis (ouvir Sardenberg, Jabor, Leitão, Madureira logo de manhã acaba com qualquer dia, e nem cito a excrescência que ocupa uma faixa do dial do rádio). Com tempo de sobra e liberdade além do que dá conta, Boechat seletivamente abusa de uma indignação moralista – bem ao gosto da classe-média diplomada e burra. Sua resposta a Malafaia é apenas estardalhaço muito com questão pouca – para não ter que cutucar onde realmente importa. Boechat abusa de adjetivos indelicados – “otário”, “pilantra”, “idiota” -, de chavões que não fazem ninguém repensar sua posição – “você é um charlatão, cara, que usa o nome de deus, de cristo para tomar dinheiro de fieis” -, e de um quê de valentão que chama o bandido pra briga. Isso acrescentou algo ao debate? Alguns memes daqueles que repudiam as posições do pastor, desconfio que palavras de indignação contra o jornalista entre aqueles que seguem e aplaudem o referido Arauto do Ódio. E o que mais? Mais nada. Boechat poderia mais – quero crer.

Primeiro, Boechat poderia mostrar que para discutir com um troglodita não é preciso se equiparar a um – assim como para combater a violência não é preciso apelar para a violência (ou então estaremos fazendo como o governador de São Paulo, e legitimando assassinatos extra-judiciais). Ao simplesmente recusar “palanque” ao pastor, Boechat dá a ele o argumento de fugir do debate, de recusa do contraditório, de intolerância. E é aqui que o jornalista poderia bater não só no pastor, mas em quem o dá guarida.

Pois Boechat poderia argumentar que não dará espaço para Malafaia porque ele, assim como a corja dos Arautos do Ódio, já possui espaço (e tempo) mais que suficiente para suas pregações, tempo e espaço que vão muito além do púlpito. Tomemos como exemplo aleatório o Grupo Bandeirantes de Comunicação. Trata-se do grupo que comanda tanto a rádio que Boechat é empregado, quanto a emissora de televisão na qual ele apresenta o telejornal noturno. É do Grupo Bandeirantes a concessão pública de um outro canal, chamado Rede 21. Diz o Código Brasileiro de Telecomunicações que uma detentora desse tipo de concessão pública não pode ter mais que 25% do seu horário negociado – seis horas, portanto. Não é o que faz o chefe de Boechat, que aluga quase que a integralidade da grade da Rede 21 para igreja evangélica – atualmente a Igreja Universal, do bispo Macedo.

Mas fiquemos na emissora principal do grupo, a Band. Confiro a grade de programação de sábado [http://naofo.de/5dhl]. Há nela uma hora – do meio-dia à uma – reservada para um programa chamado “Vitória em Cristo”, comandado pelo pastor Silas Malafaia – vejam só, que coincidência! (Há ainda duas horas para outras religiões, além de duas horas de “infomerciais”). Aqui, penso, fica claro o quanto Boechat ladra conforme manda o dono. Por que, junto com a crítica de que Malafaia “usa o nome de deus, de cristo para tomar dinheiro de fiéis”, ele não criticou também os Saad, que tomam dinheiro de quem usa o nome de deus para tomar dinheiro dos fiéis? Por que ele – assim como a vinheta da Rádio Bandeirantes contra rádios piratas – não defende a prisão de seus chefes, por serem contraventores penais? Talvez Boechat acredite no provérbio de que “ladrão que rouba ladrão” não é ladrão, mesmo agindo em desacordo com a lei (em vários aspectos) – o bom e velho “dois pesos, duas medidas”. De onde Boechat acha que vem o dinheiro que paga seu salário, com o qual ele adquire seus bens, seu patrimônio? Se não chega diretamente das mãos dos fiéis, como no caso do pastor Malafaia e congêneres, sai das mesmas mãos, desses fiéis incautos, passa pelas mãos dos exploradores da fé alheia, das mãos destes vai para as da família Saad, e da dos chefes chega até sua conta. Mas dos donos Boechat não fala – nem ele nem qualquer outro jornalista da Grande Imprensa. Seriam eles uma versão modernex do explorador da fé alheia?

Mandar Malafaia buscar rola é diversionismo para ocultar as verdadeiras questões, aquelas que geram Malafaias, Boechats, Saads e uma massa de crentes – da igreja ou da imprensa – que aceitam e acreditam passivamente em tudo o que os pastores, os jornalistas, os “formadores de opinião”, os donos da Grande Imprensa falam.

27 de junho de 2015.

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zap, de novo. Já era para ter acontecido antes, na indignação – As palestras do Lula, tome zap!

Quando vejo noticias das palestras do Lula, principalmente quando se diz que ele recebe algumas centenas de milhares de reais para falar sobre o país, não consigo segurar o ZAP! Vem há muito tempo. Como pode um cara de dentro do governo receber para contar a grupos selecionados o que vai ser feito e vejo milhares de reais rolando para o Instituto Lula. É o fim da picada. Zap, mesmo!

Instituto Lula responde à revista Época

do Instituto Lula

Resposta à revista Época sobre as viagens do ex-presidente Lula

Recebemos hoje (26), às 9h55, um e-mail da reportagem da revista Época com questionamentos a respeito das viagens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.  Faz quase dois meses que a Época tem essa prática de mandar e-mails perto do fechamento em vez de fazer entrevistas cara a cara sobre as atividades do Instituto. É a última vez que perderemos tempo com a Época, que agora receberá o mesmo tratamento reservado à Veja pela assessoria de imprensa, após reiteiradas práticas de parcialidade e falta de isenção jornalística. Mediante os questionamentos da publicação, fazemos os seguinte esclarecimentos a respeito das viagens realizadas pelo ex-presidente:

Sim, o Instituto Lula tem como política divulgar as viagens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao exterior.

Desde abril de 2011, quando se constituiu a assessoria de imprensa do então Instituto Cidadania, hoje Instituto Lula, todas as viagens do ex-presidente foram divulgadas à imprensa por e-mail, e desde o segundo semestre de 2011, quando o Instituto Lula criou seu site, também por esse canal. E desde 2012 também por Facebook. E também por Twitter. Embora o ex-presidente não ocupe cargo público e, por isso, não tenha nenhuma obrigação de divulgar viagens para o exterior, elas foram divulgadas.

As viagens anteriores a abril de 2011 também foram registradas no site do Instituto Lula. Bastaria aos jornalistas da revista pesquisarem no site para encontrar a relação de viagens.

As viagens do ex-presidente Lula ao exterior não foram a turismo ou passeio. Foram para dar palestras, falando bem do Brasil no exterior para investidores e autoridades estrangeiras, estimulando a participação de jovens na política e divulgando políticas sociais de combate à fome em eventos na África, América Latina, Estados Unidos, Europa e Ásia.

Os principais destinos do ex-presidente ao exterior não foram, como já publicou erroneamente Época, Cuba, República Dominicana e Gana. Como o Instituto já respondeu para a revista, no texto “As sete mentiras da capa de Época sobre Lula” (http://www.institutolula.org/as-sete-mentiras-da-capa-de-epoca-sobre-lula/), os principais destinos foram os Estados Unidos, com 6 viagens, e depois México e Espanha, cada um com 5 viagens.

Como já também foi respondido para a Época, quase dois meses atrás. “No caso de atividades profissionais, palestras promovidas por empresas nacionais ou estrangeiras, o ex-presidente é remunerado, como outros ex-presidentes que fazem palestras. O ex-presidente já fez palestras para empresas nacionais e estrangeiras dos mais diversos setores – tecnologia, financeiro, autopeças, consumo, comunicações – e de diversos países como Estados Unidos, México, Suécia, Coreia do Sul, Argentina, Espanha e Itália, entre outros. Como é de praxe, as entidades promotoras se responsabilizam pelos custos de deslocamento e hospedagem.”

Ao contrário do que já publicou Época, e já foi rebatido pelo Instituto Lula, a maioria das viagens do ex-presidente ao exterior não foram pagas pela Odebrecht, que contratou palestras para empresários e convidados em países onde a empresa já atua. Uma pergunta da revista contém um equívoco porque a LILS não recebe doações. A LILS é uma empresa de palestras. Ela recebe pagamentos por serviços prestados. O Instituto Lula é uma entidade sem fins lucrativos que recebe doações para a manutenção das suas atividades. O ex-presidente não recebe pagamentos do Instituto Lula. Dezenas de empresas, de diferentes setores, doaram para o Instituto Lula. Os institutos de ex-presidentes, não só o do ex-presidente Lula, vivem de doações privadas. Sobre esse assunto de doações e contratações, como já foi respondido para a Época semana passada:

“O Instituto é uma entidade sem fins lucrativos, e as doações de indivíduos, fundações e empresas privadas de vários setores, entre elas a Odebrecht, assim como as parcerias com organismos multilaterais são para a manutenção do Instituto e realização das suas atividades.

A Odebrecht já falou sobre o seu apoio às atividades do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e também de outros ex-presidentes, entre outras notas e declarações para a imprensa, no artigo ‘Viaje Mais, presidente’, de Marcelo Odebrecht, em 7 de abril de 2013, na Folha de S. Paulo. Ou seja, mais de dois anos atrás.

Todas as doações ao instituto estão contabilizadas e foram pagos todos os impostos correspondentes. Nem o apoio feito ao Instituto pela Odebrecht, nem as palestras profissionais do ex-presidente contratadas pela empresa são objetos de sigilo. O Instituto Lula nunca negou ter recebido doações da Odebrecht e a empresa nunca negou ter concedido este apoio. Aliás, como o próprio artigo de Marcelo Odebrecht mencionado acima deixa explícito.”

Temos em nosso site uma lista respondendo a dúvidas frequentes sobre o Instituto. http://www.institutolula.org/duvidas-frequentes-a-respeito-do-instituto-lula.

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O Jornal de todos Brasis

4 comentários

Comentários

Agora, intindi essa história de pedalada da Dilma, zap! Vou nessa! Julio.

Essa Dilma, sempre criando alegoria. E eu pensando que a pedalada era algo assim, perigoso, para ela, porque se fosse no Parlamentarismo,como disse não sei quem, o governo teria caido, mas aí, quem deveria cair não é a primeira-ministra? Não, Dilma, continue pedalando, leve sua byke nas viagens internacionais. Nós, digo eu, acreditamos. Vai aí a matéria sobre pedais e pedaladas da Dilma, uma novidade de maio/junho/2015, nos métodos transversais de comunicação e na politica moderna, tipo maquiavel às avessas. Pedale, Dilma, então. Zap!

Dilma quer andar de bicicleta em Nova York; assessores temem vaia

GIULIANA VALLONE
DE NOVA YORK

(Folha de S. Paulo, 27 de junho de 2015).

26/06/2015 18h06

Zap nessa história de religião, Lula, Boechat e depois Dilma, zap!

Aí, ontem de noite, quando a cabeça começa a esvaziar da pressão do dia, zap!, veio a mensagem sem o perceber: como naquela história do filme Uma Mente Brilhante em que o personagem que manipula dados numéricos, percebe (acredita que percebe) uma interligação entre certos números que indicam o desencadeamento (para ele…) de uma conspiração internacional ocorrendo. Depois, se viu, para os “sanos” quer dizer as mentes sâns que o rodeiam que ele estava pirado.

Por isso, já deixo inscrito aqui a idéia da piração. Os acontecimentos estão influindo na sanidade individual, digo deste indivíduo. Portanto, Zap, de novo:

Vi que Lula, ao maltratar a religião, já sabia antes do anúncio, da grana, quer dizer da anistia de Dilma e antes que alguém aproveitasse a oportunidade de fazer a crítica, Lula fez a seu modo a bagunça que uma crítica faz, porém por caminhos transversais. Nem sei se Boechat e Malafaia influenciam esse transversal. Zap. Julio. Em todo caso, pensei, devem a Lula (ou a Dilma, zap também aqui) o fato de não terem que pagar impostos deste lucrativo negócio que tem sido o aparato religioso. Zap de novo. Julio.

Então, Zap, zap, zap e zap, zap de novo…Eu estava seguindo o dinheiro nessa história de religião, ZAP!

> Já falei das coisas esquisitas que “perpassam” pelas cabeças contemporâneas, não todas, lógico. Poucas, talvez quase nada, pelo menos passa pela minha cabeça, quando me conecto com o mundo pela web. Zap! Zap, zap aqui, zap acolá. O pensamento corre solto, coisa de segundos.

Rolando o mouse pelo site do Yahoo, de repente vi uma notícia, sobre o “dinheiro” que faltava nessa confusa presença da religião na mídia política, digo midia política quando o tema é pautado por instâncias que geralmente tratam da política, com ênfase.

Rolando o mouse, lá vi:

Religião

Dilma anistia evangélicos, mas Senado discutirá fim da isenção de impostos

por Redação — publicado 23/06/2015 12h56
Projeto de iniciativa popular quer que igrejas paguem tributos. Arrecadação em 2014 foi de R$ 20 bilhões
zap, de novo. Sem querer, vi que o Yahoo ficou misturado com o site da Carta Capital e aí fui procurando uma saída para separar, até que voltei ao Yahoo e percebi que era o Yahoo que estava compartilhando a informação que pegou no site da Carta Capital. Daí, acabei equacionando que a maioria das notícias do Yahoo são compartilhamento. Mas, deixe isso para outra hora.
Agora é hora do ZAP!
Não sei em qual filme que vi isso, acho que foi no O Poderoso Chefão, em que se fala siga o dinheiro.
Não que eu estava procurando seguir o dinheiro nessa história de religião, mas é que ao correr o mouse pelas notícias do Yahoo, Zap!
Dilma anistiou. Seria bobeira minha achar que o Boechat e a Dilma livraram a cara do Lula quando ele falou aquela besteira dos evangélicos, que droga, não estou entendendo mais nada.
Esses zaps estão me deixando pirado. Fui. Julio.

Então, Zap. Lí o primeiro parágrafo da matéria e concordo só com isso: Zap: Ao animar a política, ocupa um espaço que poderia ser da oposição.

Análises: as razões e consequências dos ataques de Lula a Dilma e ao PT

Críticas são estratégia para se descolar do desgaste petista, para se distanciar da impopularidade da presidente e para sobreviver

POR ALESSANDRA DUARTE E SÉRGIO ROXO


RIO E SÃO PAULO – O navio começa a afundar, e ele é o primeiro a sair. Ao deixá-lo, cria o fato político que o governo da sucessora não consegue gerar. Ao animar a política, ocupa um espaço que poderia ser da oposição.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/brasil/analises-as-razoes-consequencias-dos-ataques-de-lula-dilma-ao-pt-16535675#ixzz3e0LpirQi
© 1996 – 2015. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/brasil/analises-as-razoes-consequencias-dos-ataques-de-lula-dilma-ao-pt-16535675#ixzz3e0Lazn8u
© 1996 – 2015. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Já não é mais um zap mas como tudo chega misturado nessa questão, anotei…

A procura de Malafaia e o achado de Boechat – ou o bacon da ética

Não creio que Boechat estivesse pensando grande quando desbafou. Mas o fez com uma intensidade e uma sinceridade que atingiu com força esse novo “homem coletivo” defensivo e covarde que hoje choca o ovo da serpente. Boechat falou pelo Brasil. Porque é importante mantermos a noção de que os “diferentes” do que é o Brasil são os cristãos neopentecostais, não o contrário. Se eles querem fazer parte do jogo, que engulam as diferenças. E aí eu poderei tirar as aspas de “pastor”.

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Saiu no Globo:
Publicado em 20/06/2015

EM ENCONTRO COM RELIGIOSOS, LULA FAZ DURAS CRÍTICAS A DILMA E A SUA GESTÃO: ‘ELA ESTÁ NO VOLUME MORTO’

Ex-presidente admitiu ainda que é ‘um sacrifício’ convencer sua sucessora a viajar pelo país e defender sua gestão
SÃO PAULO – Como se estivesse em um confessionário, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu o coração a um seleto grupo de padres e dirigentes de entidades religiosas no auditório de seu instituto, anteontem, em São Paulo. Em tom de desabafo, criticou duramente a presidente Dilma Rousseff e creditou ao governo dela, sobretudo no segundo mandato, a crise vivida pelos petistas. Para Lula, a taxa de aprovação da companheira está no “volume morto”, numa referência à situação hídrica paulista, e, com o silêncio do Planalto, o “governo parece um governo de mudos”. O ex-presidente admitiu ainda que é “um sacrifício” convencer sua sucessora a viajar pelo país e defender sua gestão.

Fonte: Conversa Afiada.

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