Dilma “missing in action”, enquanto Lula ignora autocrítica

publicado em 08 de fevereiro de 2015 às 14:02

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por Luiz Carlos Azenha

Dilma atinge a mais baixa avaliação desde Fernando Henrique Cardoso em dezembro de 1999, noticia a Folha. Obviamente o jornal não lembrou que, então, a inflação estava perto dos 8% e a taxa de desemprego perto dos 9% — atingindo mais de 25% para jovens de 18 a 20 anos de idade em áreas urbanas.

O repórter do jornal diz que vivemos “a mais rápida e profunda deterioração política desde o governo Collor”. Parecewishful thinking do Otavinho, quem sabe sonhando com um novo impeachment.

Assim: a Folha noticia incessantemente que o Brasil vai acabar, propõe o arrocho que empurra o país no rumo de uma crise de emprego, manda medir os impactos do seu noticiário — e da mídia corporativa em geral — sobre a opinião pública e usa as expectativas que ajudou a produzir para dizer que a crise vai se aprofundar (noticia, por exemplo, que 80% acreditam na alta da inflação).

O aumento de 20 pontos no índice de “ruim/péssimo” de Dilma, em nossa opinião, não pode ser creditado apenas à Operação Lava Jato. Dilma fez justamente a pirueta pregada pelos editorialistas do Otavinho: elegeu-se com uma plataforma progressista, mas abraçou de cara a austeridade, para não falar no Kassab e na Kátia Abreu.

Para se preservar, a presidente optou por compor um ministério que a ajude a se defender num Congresso que em breve será desmoralizado pelos desdobramentos da Lava Jato.

Do ponto-de-vista da comunicação, a presidente está missing in action. Ou, como também diriam os gringos, deu AWOL, ausente sem ter tirado folga. É um verdadeiro desastre ferroviário. No evento dos 35 anos do PT, que acompanhei pela internet, quando Dilma começou a falar perdi completamente o interesse. Era a gerentona, aparentemente alheia ao entorno.

Por conta da Operação Lava Jato, o Partido dos Trabalhadores enfrenta sua maior crise. Crise política se enfrenta fazendo política, com debate e informação. Dilma não fez uma coisa, nem outra. Parece acreditar que, mais uma vez, basta gerenciar os números, o que os dados da pesquisa da Folha demonstram que não basta, já que a taxa de desemprego é inferior a 5%.

O ex-presidente Lula, por sua vez, fez um discurso coerente e apontando caminhos. No entanto, não fez qualquer autocrítica.

Falou das instâncias burocratizadas do PT como se não tivesse responsabilidade na condução do partido. Reclamou que militantes pedem emprego e não carregam mais as faixas do partido de graça. Será que ele espera que os militantes trabalhem de graça enquanto assistem à ascensão dos beneficiados por cargos no governo e na própria máquina partidária? De que adianta militar se o dedaço de Lula é hoje a principal instância partidária do PT? Como atrair jovens se o PT usa a militância em véspera de eleição e depois descarta suas opiniões, como acaba de acontecer? São perguntas pertinentes, que ficaram sem resposta no aniversário de 35 anos do PT.

O mais doloroso foi ouvir Lula justificando todas as medidas de Dilma porque “tem de ser”, como se não fossem passíveis de discussão, conferindo à presidente o dom da infalibilidade. Numa sociedade em que os jovens querem cada vez mais participar das decisões sobre o mundo que os cerca, certamente não é o jeito de atraí-los para a vida partidária.

Numa recente viagem a Brasília, testemunhei mais uma vez uma cena extraordinária. Fui ao lado de uma família de agricultores do interior de Sergipe, de um vilarejo próximo a Lagarto, que andava pela primeira vez de avião. A mãe, felicíssima, me contou que a filha de 16 anos de idade, muito estudiosa, deverá ser a primeira da família a ingressar na universidade. Se tudo der certo, vai estudar engenharia em Aracaju. Fiquei matutando sobre a transformação pela qual o Brasil passou nos últimos 12 anos, sem dúvida a responsável pelos quatro mandatos seguidos obtidos pelo PT. No mesmo vôo, no entanto, um jovem de classe média carregava a revista Veja com os U$ 200 milhões que supostamente abasteceram o caixa do PT no esquema de corrupção na Petrobras.

Duas versões completamente distintas do Brasil, em duas fileiras de avião.

O jovem da Veja dizia que o PT vai virar fumaça assim que surgir uma prova concreta de que embolsou o dinheiro. A versão dele é a dominante na opinião pública.

Neste quadro, é incompreensível o “sumiço” da presidente.

A única explicação razoável é que ela já sabe que o aparecimento daquela prova é apenas uma questão de tempo.

Leia também:

Eduardo Loureiro: Dúvidas profundas sobre o futuro do petismo

50 Comentários

Jayme V. Soares

20/02/2015 – 07:53

Pior do que chamar os aposentados de preguiçosos (Fernando Henrique Cardosos) é matá-los à mingua, de fome (Dilma).

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republicano

12/02/2015 – 16:37

Dilma quer ser popular com medidas impopulares. Fala sério…

Responder

FrancoAtirador

12/02/2015 – 11:42

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O Preço da Inação Política

Dilma acreditou que calaria a boca da oposição ao mudar a política econômica,
mas está isolada e corre o risco de enterrar o legado dos governos de esquerda.

Por Maria Inês Nassif, na Carta Maior

(http://cartamaior.com.br/?/Coluna/O-preco-da-inacao-politica/32856)
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Responder

Maria Aparecida

17/02/2015 – 21:07

O povo brasileiro está associando estas medidas econômicas recessivas com O MINISTRO, QUE TEM APOIO TOTAL DA DIREITA GOLPISTA?

É claro que está!

E a Dilma Roussef é muito esperta!!!

Vide Revista Veja números 2402 e 2407.

Maria Aparecida

10/02/2015 – 11:25

Não dá para concordar com as críticas feitas a Dilma, temos que levar em conta o seu isolamento na presidência da República.

Vale lembrar seu discurso de posse, quando ironicamente falou que podia contar com o Congresso, com os partidos aliados, principalmente com o PMDB, e até falou no companheirismo de Michel Temer, que o deixou com uma fisionomia aparentemente perplexa!!!

Concordo que o PT é um partido muito falho em comunicação e que existe muito receio para agir neste momento de monstruosos ataques, sem fundamento, da mídia golpista, mas mesmo assim é compreensível, pois o PT tem que garantir o poder, se não for o PT em que partido podemos contar para defender a linha progressista?

Não digo em ficar passivo diante desta situação e nem cheio de receios, mas digo para pararmos com as críticas. Existem críticas de todos os lados, de fora do PT de dentro do PT, da militância, do Lula!!! POR HORA TEMOS QUE DAR UMA TRÉGUA ÀS CRÍTICAS, NOS UNIRMOS, NOS ORGANIZARMOS E ATACAR POR TODOS OS LADOS A MÍDIA GOLPISTA, OS EMPRESÁRIOS, BANQUEIROS E A DIREITA!!!

A sugestão que tenho é começar pelas Redes Sociais, passando todas as informações que esclarecem e desmentem a mídia golpista.

Quando conseguirmos destruir todos os golpistas, aí sim nos reorganizaremos dando todo apoio ao governo Dilma e a todas as gestões petistas, e também começaremos a cobrar as promessas de campanha e a linha política que o PT procurou sempre seguir.

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Andre

10/02/2015 – 13:59

Esse tipo de comentário só faz reforçar minha hipótese de que o tal ‘impechment’ e o ‘golpe’ não passam de bodes na sala. Em nome da normalidade democratica supostamente ameaçada, todos se calam sobre a politica de ajuste fiscal. Como a ameaça do golpe existe desde de 1992 quando o PT chegou ao governo (precisavamos aturar o ajuste fiscal, a reforma da aposentadoria senão os mercados derrubariam o Lula, lembram?) passaremos mais quatro anos esperando Godot calados e levando tunga. E dessa vez não é ‘classe média’, são os trabalhadores mesmo que estão na reta; o episódio do seguro desemprego foi só um balãozinho de ensaio. Deve ser por isso que Dilma não fala nada, desviar o foco da promessa de uma politica economica destrutiva só favorece ao governo.

Maria Aparecida

10/02/2015 – 15:39

Nada de se calar ou ficar esperando!

Dilma e seu novo governo merecem rejeição, mas não no momento!

Dilma esperava o mínimo de apoio para seu governo com este ministério, mas a direita não quer mais nenhuma coligação, quer impeachment, a destruição do PT e de toda a esquerda. A resposta de Dilma não tardou, nomeou Bendine para a presidência da Petrobrás.

Bom para nós, o que vai restar é um governo com as alas progressistas e com toda a direita fora do governo!!!

Pelo menos é por isto que temos que lutar, e não com ações que nos desunam ou nos enfraqueçam!!!

Um abraço a todos!!!!

lulipe

10/02/2015 – 14:39

Tire a cabeça do buraco e olhe a realidade a sua volta, Maria!!!

Maria Aparecida

10/02/2015 – 15:45

Nada de cabeça no buraco, mas sim mangas arregaçadas!

Quem não tem cão caça com gato!

O povo brasileiro é retrógado e reacionário, o PT um partido sózinho, o governo Dilma cercado de inimigos, e nós na luta, podemos perder, mas vamos perder lutando!!!

Um abraço!!!!

Andre

09/02/2015 – 20:09

É bom ter cuidado com indicadores agregados. A inflação por exemplo varia de acordo com a classe de rendimento. Se o aumento do nível geral de preços se dá principalmente nos alimentos, a inflação para a população de renda menor é maior pois a alimentação tem um peso maior no seu orçamento. Não tenho os dados e não posso afirmar que é esse o caso, mas dadas as condições climáticas e a elevação recente do dólar (o trigo por exemplo é importado em sua maior parte) é bem possível que seja esse o caso.

A mesma coisa com o desemprego. O índice do IBGE mede apenas o desemprego em 6 capitais, se não me engano. Não sabemos por esse índice o que acontece nas outras e nem no interior. Só com os dados da PNAD que são divulgados anualmente é possivel saber. Durante muito tempo por exemplo, a taxa de desemprego pela PNAD foi menor que pelo índice mensal. O contrário também pode acontecer. Há também o ‘desemprego por desalento’, pessoas que não procuraram emprego na semana anterior à pesquisa de desemprego e que não aparecem no índice. Só comparando com a variação da População Economicamente ativa é possível ter uma aproximação desse dado. É necessário também desagregar o emprego por setor, se setores que pagam melhor ou pior tiveram ganhos líquidos (criaram mais vagas que destruíram) de emprego, se o emprego líquido é com renda baixa, média ou alta. A indústria em geral paga melhor que os serviços, se nos serviços se cria mais emprego liquido que na indústria, o indice de desemprego não muda, pode até aumentar, mas isso pode afetar a renda média.
Dados não são simples, são produzidos por uma metodologia e sintetizam uma realidade complexa. É bom ter cuidado com dados agregados. De novo, não tenho essas informações detalhadas e por isso não posso afirmar o que está acontecendo. MAs creio que há mais do que a mídia nisso aí.

Ademais há a sensação de perda. Na média as pessoas preferem evitar perdas do que ter ganhos (conhecido como ‘aversão a perda’ na psicologia cognitiva). Ou seja, a sensação de perda é maior do que a de um ganho do mesmo valor. Se temos 10 e perdemos 1 nossa sensação de perda (para a média das pessoas )é maior do a do ganho se temos 10 e ganhamos 1. Percentualmente a perda e o ganho são iguais, mas não somos seres matemáticos (A Dilma parece ignorar isso!).
Então se por exemplo, a inflação vem baixa ha muito tempo, um aumento de 0,5% gera uma sensação de perda no poder de compra maior do que a sensação de ganho se ela vem alta ha muito tempo e diminui 0,5%.

Responder

Lafaiete de Souza Spínola

09/02/2015 – 17:26

Azenha,

Temos vários problemas:

A mídia da direita não dá o mínimo espaço!

Aqui, muitas vezes, a moderação (“censura”) não publica comentários que não sejam palatáveis.

E nada publico de condenável!
Veja:https://www.facebook.com/lafaiete.spinola.3/posts/239669346190481

Como mudar esse Brasil? Assim?

Comentei pelo FACEBOOK. Está publicado! Por que não aparece aqui?

A direita adora isso!

Responder

Lafaiete de Souza Spínola

09/02/2015 – 17:10

“Falou das instâncias burocratizadas do PT como se não tivesse responsabilidade na condução do partido. Reclamou que militantes pedem emprego e não carregam mais as faixas do partido de graça. Será que ele espera que os militantes trabalhem de graça enquanto assistem à ascensão dos beneficiados por cargos no governo e na própria máquina partidária? De que adianta militar se o dedaço de Lula é hoje a principal instância partidária do PT? Como atrair jovens se o PT usa a militância em véspera de eleição e depois descarta suas opiniões, como acaba de acontecer? São perguntas pertinentes, que ficaram sem resposta no aniversário de 35 anos do PT.”

Foi assim que o denominado “Socialismo Soviético e do Leste Europeu” desmoronou!
E quem achava que aquilo era socialismo foi pego de surpresa! De surpresa! Estavam cegos!

Se o Brasil não é denominado como uma “República de Bananas”, pode ser chamado de uma República de Matérias Primas (passaram a denominar de Comodities, termo mais chique!). Então, por falta de tecnologia, não temos um desenvolvimento industrial próprio. E o pouco, que temos, como a Petrobrás, querem entregar ao estrangeiro.

Assim, vivemos, sempre, nesse jogo execrável de instabilidade social e econômica!

As potências do Norte adoram essa situação. Somos manipuláveis!

Só vejo uma saída para transformar, pacificamente, nosso país. Não é tarefa fácil, pois os interesses pessoais dominam nossa cultura:

https://www.facebook.com/lafaiete.spinola.3
https://www.facebook.com/lafaiete.spinola.3/posts/239669346190481

Responder

Elias

09/02/2015 – 12:50

Tem razão Azenha ao observar que “Lula ignora autocrítica”.

Uma das práticas históricas de todo partido de esquerda sempre foi a autocrítica.

Se não reconhecermos nossos erros por ceto não iremos obter os acertos.

Quanto ao “sumiço” de Dilma me faz lembrar Lênin e seu “passo atrás”.
Nesses primeiros cem dias de “novo ministério”, ela não tem munição suficiente para enfrentar o bombardeio covarde de uma mídia entreguista.

Agora um sumiço mesmo, uma ausência total daquele que parecia um expoente do partido é incompreensível: José Eduardo Cardoso, ministro da Justiça. Este sim deveria estar na linha de frente.

Quanto ao “aparecimento daquela prova é apenas uma questão de tempo”, pareceu-me um exagero do jornalista. A não ser que ele saiba de algo que eu, mero leitor, não sei.

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Paulo

09/02/2015 – 11:09

A resposta ao questionamento do texto está em seu epílogo: “A única explicação razoável é que ela já sabe que o aparecimento daquela prova é apenas uma questão de tempo”.
Infelizmente a inação do Governo demonstra claramente que desta vez, pegar o “batom na cueca” já é questão de horas.
A continuidade do Governo Dilma está nas mãos do PMDB (se o Temer quiser governar por dois anos ela dura até a metade do mandato, senão cai antes de dezembro mesmo…)

Responder

Vovó Diet

09/02/2015 – 10:29

Desculpa, Azenha. Ninguém votou em Dilma para que seu governo fosse comparado a um de 16 anos atrás. Em 1999, ninguém comparava o presidente àquele de 1983, João Figueiredo. Tenho por mim que esse negacionismo do PT, de sempre invocar o espectro de FHC, é deletério para o próprio partido. Nas próximas eleições, já haverá eleitores nascidos depois do fim do governo tucano. É para essa gente que o PT deve olhar, é esse o segmento que o partido deve priorizar. Em política, a gente só sobrevive com promessas de futuro. Lembra-se da campanha do Lula, pautada na esperança? Por onde anda essa palavra nos pronunciamentos petistas? Sumiu, acabou.

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Vicente Jr.

09/02/2015 – 09:08

Dilma com desemprego em 5% e inflação em 7% consegue ser pior que FHC com desemprego em 9% e inflação em 8%. Isso é que dá não ter um estadista no comando do país.

Responder

Sidnei Brito

09/02/2015 – 16:54

Pô, gente! O tratamento que se dá na imprensa é que faz toda a diferença.

Ricardo JC

09/02/2015 – 17:11

É pior ainda…
FHC entregou o governo com inflação em 12% e taxa de juros de 25% a.a., drenando todos os recursos do país. Agora, o grande erro do PT foi não discutir, nem por um momento, a indicação do Lula. Dilma está se mostrando um verdadeiro “poste”. Não digo isto nem por causa do modo de governar. Apesar de vários erros, ainda vejo algumas posições importantes do governo. A crise lá fora está dura e cedo ou tarde teríamos que nos adaptar. Agora, largar a política de lado e entregar tudo para a mídia é simplesmente “inaceitável”!

Diego

09/02/2015 – 02:09

O PT conseguiu grandes avanços nos últimos doze anos, e ainda que esses avanços tenham passado longe de proporcionar a sociedade que sonhamos, não podemos negar que eles existiram e nem deixar de creditar a eles sua devida importância, que não foi pouca.
Gostemos ou não, esses avanços foram proporcionados pela aliança que o PT fez com os representantes da direita no congresso e com a burguesia nacional em geral. Sem as concessões programáticas feitas na “carta ao povo brasileiro” dificilmente Lula teria sido eleito em 2002. O estilo real politik que guiou essa aliança rendeu seus frutos, alguns bons e outros ruins, mas, para o bem ou para o mal, esse ciclo está esgotado no presente momento.
Muito me estranha a postura dos dirigentes do PT, sempre tão pragmáticos, parecem não quererem enxergar a realidade atual, da falência do modelo de 2002, insistem em um modo de governar que levará o partido à extinção, ou algo próximo a isso. Só pode existir aliança se ambas as partes quiserem. A direita, a classe média conservadora, a mídia, enfim… já deixou claro que não quer fazer aliança para ocupar o poder, eles querem o comandar diretamente. O PT continua a insistir com sua serenata aos burgueses (Levy, Katia Abreu, taxa SELIC, seguro desemprego…) querendo ressuscitar essa aliança, parece um marido abandonado que não se conforma que a companheira lhe deixou e continua cada vez a oferecer presentes mais valiosos, tentando comprá-la, e isso só faz nutrir o ódio e o rancor que a amada lhe devolve.
Enquanto isso aqueles que verdadeiramente dão suporte as idéias progressistas só são lembrados na véspera da eleição, quando bate o desespero, depois são solenemente ignorados em nome da governabilidade. Esse modelo vem corroendo o partido por dentro ao longo do tempo. Ninguém dúvida da força da militância do PT, mas também ninguém dúvida que essa força hoje é muito menor daquela de outros tempos, e isso é culpa da maior parte dos dirigentes que valorizam muito mais seus aliados burgueses que sua própria base. O problema é que o PT sem sua base não é nada, ou na melhor das hipóteses é um PMDB com um líder carismático, e a direita deixou de temer os petistas, seus sindicatos e movimentos sociais. O PT, sem sua base, vem deixando de ser uma noiva interessante para os burgueses. Deixar sua militância de lado é/foi um tiro no próprio pé dos petistas que ocupam a estrutura do poder, pois estes perderão sua sustentabilidade.
No cenário atual, sendo idealista e pragmático ao mesmo tempo, a única saída que vislumbro é à esquerda, com a base, com o povo, implementando ideias inovadoras que enfrentem a lógica do capital, pois é aí que o PT nasceu e é aí que reside sua verdadeira força, e não nos conchavos dos lobistas do congresso. Claro que com isso a governabilidade poderia ser abalada, e, na pior das hipóteses,o próprio término do mandato não estaria garantido, mas ainda assim fortaleceríamos o campo progressista e continuaríamos nas trincheiras lutando de cabeça erguida, independente da situação, sempre em busca de um futuro melhor para todos. A outra possibilidade é o PT continuar rastejando atrás do mercado financeiro, seguindo a cartilha neoliberal, tomando medidas que prejudicam a maioria do povo e perdendo cada vez mais sua base de sustentação, ou ainda, apesar e por causa de tudo isso sofrer um golpe paraguaio no palácio do planalto, sair com o rabo entre as pernas, desarticular de vez toda a esquerda e fazer uma oposição medíocre frente aos fascistas que pretendem tomar o poder.
Desabafei!
Não Passarão!!!

Responder

Lúcia Santos

09/02/2015 – 16:32

Olá,

Amei o seu texto, foi como se eu mesma o tivesse escrito e quero divulgar no meu face. Qual o seu nome completo? quem é você?

Aguardo retorno.

Lúcia

Edgar Rocha

09/02/2015 – 00:38

Será que tem bode velho querendo livrar o próprio couro?

Ao ler o discurso do Lula, tive a impressão de que a estratégia seria dialogar com as demandas sociais surgidas durante o período Lula, mesmo que estas se mostrem equivocadas ou insustentáveis ideologicamente, como é o caso da inclusão pelo mercado. Imaginei que o jargão proferido pelo próprio Lula sobre o surgimento de uma nova classe média seria o mote pra trazer a massa em apoio ao Governo Dilma. Pensei também que, aquela história de que o PT antigo não existia mais, que seria preciso escutar as novas necessidades geradas pelo crescimento, fossem neste sentido. Só isto já seria muito ruim pra identidade da esquerda e para o amadurecimento da democracia no país. A discussão já seria longa. Sem contar outras necessidades surgidas a partir desta lógica reforçada pelo governo federal, seja por afirmação de valores equivocados, seja por negação de valores historicamente defendidos pela esquerda (educação, bem estar social, combate ao crime, liberdade de expressão, luta contra o conservadorismo das instituições de segurança, etc.).

Mas, considerando o mal estar de alguém que nestes últimos doze anos, nadou contra a corrente de sua própria profissão e conhece de perto os meandros do pensamento político do governo petista como poucos, me sinto forçado a pensar que o comportamento do Lula possa ser mais do que equivocado. Baseado nas críticas duríssimas que o Azenha fez – ele, um defensor assumido dos projetos sociais e da integridade do ideal esquerdista – começo a sentir que o eterno Presidente esteja mesmo, mal intencionado em relação ao PT, à militância e ao projeto inicial que ele representou.

Não quero ser precipitado. A verdade não vai tardar a aparecer. Melhor esperarmos. E nos prepararmos. Que eu esteja enganado.

Responder

Álvares de Souza

09/02/2015 – 00:16

Hoje é dificílimo encontrar um militante petista, filiado ou não, que demonstre indignação com tudo o que acontece, e que o faça com a consciência plena sobre os fatos que ocorrem. Na cidade onde resido o governo é petista e todos são egressos do carlismo, que dominou a Bahia por meio século. O que se pode esperar dessa gente? Procedem exatamente como os carlistas o faziam, muito pior, até. Roubam, praticam o mais descarado nepotismo, subornam vereadores para aprovação de suas contas rejeitadas pelos tribunais competentes e agem com o mais absoluto descompromisso com a gestão pública. São tremendamente incompetentes, amadores até nos crimes que cometem. E aí eu fico a imaginar se isto não se reproduz Brasil afora, gerando uma insatisfação frustrante, desalentadora, obstáculo invencível para uma mobilização como a que o Brasil requer nestes tempos esquizofrênicos, porque, à despeito dessa crise institucional que o País vive, urdida, artificial, motivada pelos mais inconfessáveis interesses, impatrióticos, a economia da cidade vai bem, com um nível de emprego e de negócios como nunca se viu, fruto da estabilidade que os governos de Lula e de Dilma conquistaram, gerando, paradoxalmente, um alheamento e passividade que não levarão ninguém à mobilização desejada e imperiosa para conter os ataques à normalidade institucional e à soberania do País.

Responder

abolicionista

08/02/2015 – 22:10

Eu é que não vou pra rua defender Kátia Abreu, me desculpem.

Responder

BACAMARTE

09/02/2015 – 14:08

Nem eu.
Ainda mais depois de ter o desprazer de assistir o Alexandre(tucano) Garcia afirmar pomposamente que hoje o PT é vidraça,apos anos ser pedra!

abolicionista

08/02/2015 – 22:07

O PT de fato está caquético, já não tem nenhuma capacidade de renovação. Outros movimentos e organizações tomarão seu lugar, quanto antes acontecer, melhor. Partidos podem morrer, mas não morrem os sonhos. É preciso uma nova visão de país, que não veja num desenvolvimentismo extrativista e predatório a única via para uma vida melhor. Se a esquerda não fizer uma crítica do “progresso” o mundo o fará por ela. As cidades estão se tornando pesadelos vivos, a revolta e o sentimento de indignidade só faz crescer. Se não mudarmos o rumo da coisa, o fundo do despenhadeiro será nosso único futuro.

Responder

luis castro

08/02/2015 – 20:12

Tem gente que não aceita critica mesmo vendo a casa perto de ruir, criticam até os blogueiros progressistas pelas suas criticas coerentes. O quê que eles querem que esperemos o PT se esfacelar? Quer dizer que os blogueiros devem se comportar como o governo, fingir que nada está acontecendo tá tudo um mar de rosas, e só despertemos deste nirvana com a derrota em 2018, aí então vamos nos debruçar sobre os erros quando Inês é morta. As criticas são bem vindas até para pressionar o Governo a reagir sair de seu autismo e, partir, para boa luta, eles estão fazendo o papel deles de nos atacar, o que esperar dos adversários, nós é que estamos fugindo da luta. Outra coisa delegar a defesa do governo, como fez a presidenta para os ministros, é tirar o corpo fora. Esperar que subalternos arrisquem o pescoço para defender um governo que não se defende é suicidio, quando a midia massacrar o ministro ele cai em nome da governabilidade. Portanto, cabe ao lider o papel de protagonista, no caso a Dilma ou Lula, no combate ao massacre diário da mídia.

Responder

Walter

08/02/2015 – 20:09

Engraçado.
No meio de 2013 e durante boa parte de 2014 eu defendi o questionamento das políticas medioçres do PT. Quantas vezes fui escorraçado nos comentários dos blogs sujos… Defender classe média então, coisa que todos somos, queiramos ou não… Cheguei a defender a eleição do candidato do psdb que estaria lidando agora com a herança maldita da recessão e dos aumentos de preço. Defendi o PT na oposição como forma de reagrupar à esquerda , o pensamento da esquerda. No blog e no face do cidadania fui varias vezes desancado pela turma do fla flu, a turma do PT nunca erra…
O PT é direita, rouba igual a direita, prevarica igual à direita e se alia com a direita, que agora já está se preparando para pular do barco da gerentona patética e catatônica.
Só no meio da campanha eu comecei a pedir voto pro PT em defesa contra o perigo fundamentalista. E tá aí…. O fundamentalismo domina a Câmara e a cleptocracia o Senado.
O PT tratou os servidores públicos do judiciário como cachorros. mas abriu as pernas para os juízes e promotores. Conseguiu ser odiado por ambos. e perseguido implacavelmente pelos magistrados que encheu de regalias.
O PT odeia classe média. A mesma classe média que fez do PT o que ele é. hoje o PT é odiado pela classe média. Até pela dita classe média de mil reais por mês. Aquela que frequenta as igrejas pentecostais e acha que subiu na vida pela mão de Deus. E não por uma,política de estado.
Enfim, esse é o PT. Partido de sindicalistas analfabetos, e stalinistas reacionários que se agruparam com sobrenomes como Mercadante, suplicy, Matarazzo, e outros corpos estranhos na luta trabalhadora.
Mais interessante ainda é ver neguinho pedir apoio à Luciana… Tenha dó né. Vai pedir apoio pro Renan calheiros e pro Collor.
E mandem essa gerentona autoritária e sem carisma parar de gaguejar. Chega desse lixo autoritário …

Responder

ZePovinho

08/02/2015 – 18:36

Lembra daquela história sobre o Instituto Cajamar,que formava militantes do PT,Azenha???Falamos sobre isso na crise de 2005.A antiga Articulação,hoje CNB,continua predominando sobre as outras tendências do partido e com o mesmo comportamento.
Não é o fim do mundo o que estamos passando.Já são quatro governos seguidos.Ou se muda a estratégia,indo mais para a esquerda,ou dificilmente sairemos desse mandato em boa situação.
A militância do PT está aí,aguerrida e bem humorada.O que falta é o PT de gabinete FAZER POLÍTICA.
Esse negócio de querer apenas tarefeiros já era.

Responder

Arquimedes

08/02/2015 – 18:19

Todo mundo fala, fala e fala e o PT continua dormindo. Já encheu o saco!

Responder

Gerson Carneiro

08/02/2015 – 17:40

Vocês esperam por uma intervenção divina
Mas não sabem que o tempo agora está contra vocês
Vocês se perdem no meio de tanto medo
De não conseguir dinheiro pra comprar sem se vender
E vocês armam seus esquemas ilusórios
Continuam só fingindo que o mundo ninguém fez
Mas acontece que tudo tem começo
E se começa um dia acaba, eu tenho pena de vocês

Fátima – Renato Russo.

Responder

FrancoAtirador

08/02/2015 – 17:32

.
.
O Povão tá nem aí pra ‘Superavit Primário’

e pra essa tal de ‘Relação Dívida-PIB’.

O Trabalhador(a) quer mesmo é Mais Salário

e Menos Horas de Castigo no Trabalho Escravo.

Viver com Saúde e Dignidade, pra Criar Bem @s Filh@s

e dar-lhes Boa Educação e Independência Econômica.

Será que é pedir demais aos Phoderes Ré-Publicanos?
.
.

Responder

FrancoAtirador

08/02/2015 – 17:40

.
.
Mas esperar o Fascismo retomar o Poder,

pra depois fazer ‘Revolução Socialista’,

talvez não seja a melhor Estratégia.
.
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Governos de Esquerda na América Latina
e as Relações do Estado com o Capitalismo

Há 550% mais ódio contra os partidos de esquerda
e seus governantes nos países latino-americanos

A Classe Média tornou-se o maior contingente de inconformados.

Governos de Esquerda deveriam dedicar
parte importante de seu Trabalho de Regulação
a Descartelizar Setores que Aboliram a Competição,
deixaram Pequenas e Médias Empresas à Míngua
e se tornaram “grandes demais para falir”.

Isso vale para os Grupos de Mídia,
mas também deveria valer para Empreiteiras,
para os Fornecedores do Serviço Público,
os Grupos de Telefonia, os Planos de Saúde
e tantos outros.

Por Antonio Lassance, na Carta Maior

[…]
Governos de esquerda, ao reduzir a desigualdade,
mexem com interesses dos ricos e da classe média.

Os ricos ganham, mas enervam-se com o fato de que os pobres
passem a ter ganhos de renda superiores aos seus
devido a que, com salários em alta e desemprego em baixa,
o custo da mão de obra se eleva.

Se a renda dessa faixa de pessoas mais pobres cresceu 550% mais rápido
que a dos 10% mais ricos, o ódio dos mais ricos contra os governos
que fizeram isso acontecer também cresceu nessa mesma proporção.

Há 550% mais ódio contra os partidos de esquerda e seus governantes.

O ódio cresceu na medida em que esses projetos se cristalizaram, fomentados politicamente por um conjunto de políticas
que conquistou a adesão justamente dos setores mais pobres.

A classe média tornou-se o maior contingente de inconformados.

Como os governos de esquerda não mexem ou mexem muito pouco com os ricos, é principalmente sobre a classe média que recaem os custos maiores
das políticas de benefícios sociais aos mais pobres.

A classe média foi penalizada com impostos mais altos
que bancam uma grande proporção dos gastos dos governos.

Embora os gastos maiores do Estado seja com os mais ricos
[por meio de pagamento de uma ‘dívida’ imoral, porque indevida, pois privada],
são os programas sociais para as camadas de mais baixa renda
que mais irritam a classe média.
[…]
A revolta … é que isso tornou-se possível com o patrocínio de seu dinheiro
[através da cobrança de impostos sobre renda e consumo dessa classe],
usado pelos governos de esquerda em benefício dos mais pobres.

Por isso, a radicalização direitista de uma parte dessa classe
se volta contra esses governos, e não contra partidos de direita.

Para esse setor da classe média, a ameaça que sofre
não vem dos ricos, e sim dos pobres…

Essa parcela da Classe Média… crescente, aprecia
o Elitismo Radical embalado pelo Liberalismo Autoritário.

[…]

Uma Aliança Política Precisa ser Rompida

A Corrupção não é apenas Comportamento Individual.

É e sempre foi parte do Processo de Competição
Econômica e Política em um Sistema Capitalista.

Desde os Barões Ladrões da “Era Dourada” (“Gilded Age”),
nos Estados Unidos, século XIX, ao Brasil das Privatizações
e das Empreiteiras, a Corrupção é Parte do Jogo de Cartelização Capitalista.

Os Interesses do Capital necessitam de Recursos Públicos
e, ainda mais importante, precisam Interferir na Regulação Estatal,
mudando ou mantendo as Regras do Jogo em seu próprio Benefício.

A maneira como isso afeta governos de esquerda
precisa ser analisada do ponto de vista político.

Alguns processos corruptivos, seja na América Latina,
seja os que estiveram associados ao domínio do Congresso Nacional Africano
(o CNA de Nelson Mandela, na África do Sul) têm em comum o fato
de representarem uma tática que alguns governos de esquerda usaram
para romper o cerco em relação a setores mais ricos
– associando-se a alguns deles mais intimamente.

Ao manter relações privilegiadas com esses setores,
buscaram não só torná-los sócios majoritários de um projeto político,
mas também, no longo prazo, fortalecê-los no interior da classe capitalista.

A ação é, portanto, ao mesmo tempo pragmática e programática.

Os setores escolhidos são, em geral, centrais
para os eixos tradicionais de desenvolvimento do país.
São também grupos econômicos que eram sócios
igualmente tradicionais de partidos de direita.

Mas a aproximação de governos de esquerda e tais grupos
tende a reforçar a configuração cartelizada
ou mesmo monopolista em muitos desses setores.

Como mexer com esse jogo de interesses envolve entrar por meandros nem sempre abertos e institucionalizados, envereda-se por meio de práticas à margem ou contra a lei.

Em uma palavra: quem se aventura por esse caminho cai na corrupção.

Além de patrocinar o super-enriquecimento de alguns setores,
os partidos, sejam de esquerda ou direita, buscam reforçar-se
política e financeiramente na disputa de poder.

O jogo é o mesmo, seja ele feito pela direita ou pela esquerda.

A diferença é que os cartéis midiáticos e os órgãos judiciais
dão tratamento diferenciado aos casos que envolvem governos de esquerda.

O desvendamento dos casos de corrupção em governos de esquerda unificam,
sob uma mesma bandeira, os que querem derrotar esses governos
e punir exemplarmente todos os que traíram sua classe,
pois aliaram-se àqueles que deveriam ser combatidos sem trégua.

A corrupção fornece o elã para que ricos e parte da classe média tradicional
disputem os votos dos pobres com um ódio feito sob medida para estigmatizar,
cirurgicamente, apenas os governos de esquerda e seus aliados de ocasião,
e não as práticas corruptivas em si.

As Denúncias de Corrupção feitas pela Grande Mídia,
Ela Própria um Setor Capitalista Cartelizado e com Interesses Claros
nas Disputas Políticas e Econômicas em Curso,
vêm claramente desacompanhadas de uma denúncia
sobre a permanência da corrupção ao longo do tempo.

Jamais se demonstra a conclusão óbvia de que a corrupção é parceira,
de longa data, das práticas capitalistas mais usuais,
em sua relação com a política e com o Estado.

Salvo em países onde a democracia é forte o bastante
para torná-la impossível de não estar exposta.

Os pobres reagem ceticamente em relação a esses apelos
com a percepção de que, na verdade, são todos iguais,
e a diferença está apenas nos resultados que cada governo oferece.

A Natureza Corrupta do Jogo de Interesses no Poder os iguala.

As políticas e seus resultados é que os diferenciam.

Aliás, os mais pobres são os únicos que costumam ter
uma posição mais realista e menos hipócrita, embora conformista,
sobre o jogo sujo da corrupção entre políticos e grandes capitalistas.

O fato é que os governos de esquerda, quando repetem tais práticas, desmoralizam-se politicamente.

Não apenas pelos escândalos, mas quando demonstram
que vieram para mudar algumas coisas, mas se mostram incapazes
de alterar o Essencial nas Relações entre Estado e Capitalismo.

Continuam com algum crédito e fôlego para se livrar de tentativas golpistas
apenas enquanto suas políticas demonstram capacidade
de entregar resultados palpáveis, efetivos.

Por sua vez, em momentos de estagnação, elevam-se as chances de adesão
aos apelos do golpismo e aumentam as pressões para que os judiciários e legislativos
promovam golpes de espada e cortem cabeças.

Os governos de esquerda produziram inúmeros e importantes avanços,
mas encontram-se fortemente ameaçados.

Depois de uma década, as acusações de que “o modelo esgotou-se” tornam-se comuns.

A pobreza diminuiu significativamente, em grande medida, graças aos programas de transferência de renda, que hoje cobrem 17% da população da América Latina e Caribe (dados da Cepal*).

Ao mesmo tempo, os percentuais e os contingentes de pobres
ainda são absurdamente altos – quase 170 milhões de pessoas:

*(http://www.cepal.org/pt-br/publicaciones/hora-da-igualdade-brechas-por-fechar-caminhos-por-abrir-trigesimo-terceiro-periodo-de)

Os governos de esquerda precisam fazer os países voltarem a crescer,
mas, se limitarem a isso seu horizonte, estarão afundados
na mediocridade e indiferenciados dos partidos de direita.

Deveriam concentrar suas escolhas de crescimento
não em setores tradicionais e em poucos grupos econômicos privilegiados,
mas em novos setores econômicos dinâmicos, inovadores, e em arranjos produtivos
que fortaleçam a economia familiar, as pequenas e médias empresas.

Dariam uma boa sinalização de mudança a uma parcela da classe média
que normalmente detesta a esquerda – e com grande parcela de razão,
quando são esquecidos por ela.

Os governos de esquerda deveriam dedicar parte importante de seu trabalho de regulação
a descartelizar setores que aboliram a competição, deixaram pequenas e médias empresas à míngua e se tornaram grandes demais para falir.

Isso vale para os Grupos de Mídia, mas também deveria valer para Empreiteiras,
para os Fornecedores do Serviço Público, os Grupos de Telefonia, os Planos de Saúde e tantos outros.

Novos e significativos avanços demandariam uma expansão das políticas de bem-estar social e investimentos muito maiores em educação, saúde, previdência e assistência do que são possíveis diante do atual modelo da maioria desses países, baseado em gastos altíssimos com o sistema financeiro, uma intocável concentração das atividades econômicas e em profunda injustiça tributária.

A necessária e utópica mudança de modelo passaria por romper os laços promíscuos com setores econômicos dominantes, raiz das práticas de corrupção que põem em xeque todo o patrimônio de lutas sociais que deram origem a muitos dos partidos, dos movimentos e das pessoas que hoje governam esses países.

Com a ascensão de setores pobres ao patamar de classe média, uma nova geração de eleitores desgarrou-se da esquerda e já vota contra ela, contrariando justamente quem foi responsável por sua ascensão.

Mobilidade social resulta também em mobilidade política, o que impactará decisivamente a eleição dos futuros presidentes. Os mais pobres ainda são muitos, mas cada vez dividem seu peso em eleições com setores de uma classe média não tradicional.

A esquerda só terá alguma chance eleitoral
se reforçar o sentido social de seu projeto.

Para tanto, precisa cumprir o papel de formar uma aliança
dos setores mais pobres com a classe média
em um modelo em que ambos avaliem que ainda vale a pena
estarem juntos e governados por partidos progressistas.

Do contrário, a América Latina poderá, dentro em breve,
ser novamente governada por partidos elitistas, excludentes, corruptos
e que só serão novamente derrotados depois de imporem ao continente
toda uma nova década de atraso, com a economia ainda mais concentrada
e a pobreza retrocedendo a patamares alarmantes.

Nessa hora, porém, as alternativas podem já não ser mais tão promissoras
se a esquerda, linchada, estiver com todas as suas cabeças cortadas
e penduradas em praça pública.

(http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/O-odio-que-cresceu-550-na-America-Latina/4/32829)
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Walter

08/02/2015 – 20:17

Mas o PT , através de sua ideóloga mor, odeia a classe média né?

Lafaiete de Souza Spínola

09/02/2015 – 21:03

“A esquerda só terá alguma chance eleitoral se reforçar o sentido social de seu projeto.
Para tanto, precisa cumprir o papel de formar uma aliança dos setores mais pobres com a classe média em um modelo em que ambos avaliem que ainda vale a pena
estarem juntos e governados por partidos progressistas.”

Seu comentário é realista!

O FHC deixou o governo com um investimento de, aproximadamente, 3.8% do PIB, na educação básica.

Hoje, esse investimento está em torno de 5.5%. Um aumento de, apenas, 0.142% ao ano, nesses 12 anos.

Caso tivessem aumentado em 1% do PIB, anualmente, estaríamos investindo 15.8 % atualmente.

É só imaginar que país seria o Brasil de hoje!

Converso muito com as pessoas, em todas as camadas, independentemente do pensamento político. Todos aprovam a minha sugestão:
“UM PROJETO PARA A EDUCAÇÃO NO BRASIL.
Mas, sempre, afirmando que os políticos, em geral, não querem isso!

https://www.facebook.com/lafaiete.spinola.3/posts/239669346190481

Aqui, está o ponto de concordância, de aliança!

Francisco

08/02/2015 – 16:57

A tragédia estava desenhada na Comissão da Verdade.

Nenhum dono de mídia foi chamado a depor (que se dirá ser responsabilizado).

Não resultou da Comissão a recomendação (expressa!) de democratizar a posse da mídia não só para muitos, mas para distribui-la pelo espectro social e político.

Porque em 1964 foi essa concentração que facilitou sobremaneira o golpe.

Monopólio de mídia é antessala da ditadura.

A esquerda não aprendeu. Esperemos mais 60 anos…

Responder

FrancoAtirador

08/02/2015 – 19:26

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O Começo de Sempre e o Eterno Retorno

A TV Globo Rio foi concedida pelo presidente Juscelino Kubitschek em 1957.

E a Emissora de Brasília foi concedida pelo presidente João Goulart em 1962.

(http://naofo.de/2qnu)
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COMO SE EXPANDIU A TV GLOBO

O presidente das Organizações Globo, Roberto Marinho, 83,
concedeu ontem [sábado, 24/09/1988] entrevista à Folha
para contestar que a Rede Globo tenha apoiado os governos militares
em troca da obtenção de concessões de canais de televisão.

A acusação foi publicada em artigo do ombudsman
do jornal americano The Washington Post no último domingo [18/09/1988].

Marinho disse que nenhuma concessão de TV VHF
foi outorgada à Globo pelo governo desde 1962.

A Globo, acrescentou, comprou de particulares todas as suas emissoras,

com exceção da emissora do Rio, que foi concedida
pelo presidente Juscelino Kubitschek em 1957,

e da emissora de Brasília, que foi concedida
pelo presidente João Goulart em 1962.

Marinho disse que “apoiou a ação construtiva dos governos militares”,
mas “fez questão de não obter favores”.

O vice-presidente executivo das Organizações Globo, João Roberto Marinho, 35,
que participou da entrevista, entregou à Folha um documento que comprova
que durante os governos militares nenhuma concessão de TV foi outorgada ao Grupo Globo.

Datado de 24 de setembro de 1984, o documento é uma correspondência oficial
do secretário-geral do Ministério das Comunicações, Rômulo Villar Furtado,
para o ministro-chefe da Casa Civil, Leitão de Abreu.

João Roberto disse que o então presidente João Batista Figueiredo acreditava que a Globo tinha recebido concessões dos governos militares e solicitou uma listagem dessas concessões, o que motivou o esclarecimento oficial do secretário-geral do Ministério das Comunicações.

João Roberto disse ainda que a Rede Globo nunca obteve empréstimo

de grande valor de bancos oficiais, com a exceção do aval fornecido em 1966

pelo então Banco do Estado da Guanabara para Roberto Marinho

comprar a participação do grupo norte-americano Time-Life na Rede Globo.

Entrevista concedida à Folha de S. Paulo, 24/09/1988:

Roberto Marinho — O jornal The Washington Post publicou declarações do seu ombudsman, Richard Harwood, dizendo que “a Rede Globo de Televisão, quarta maior rede de TV do mundo, foi criada através da concessão, pelo Ministério das Comunicações, de 38 emissoras ao império editorial e de telecomunicações de Roberto Marinho”. A Rede Globo de Televisão foi feita com a concessão de uma licença de televisão dada pelo presidente Juscelino Kubitschek em 1957. Esta concessão foi do canal do Rio de Janeiro. Obtivemos uma segunda concessão, do canal de Brasília, que foi outorgada em 1962 pelo presidente João Goulart. Após problemas conhecidos, vieram os governos militares. Por circunstâncias várias, O Globo apoiou a ação construtiva desses governos militares e fez questão de não obter favores dos mesmos, inclusive a concessão de canais, o que não seria favor. Durante esse tempo, para formar a rede, compramos de particulares e de empresários em dificuldades os outros canais de televisão que possuímos. São Paulo, Bauru e Recife foram comprados de Vítor da Costa; Belo Horizonte, de João Batista do Amaral; Juiz de Fora, de Geraldo Mendes. Tenho sido acusado de ter feito o chamado império de TV às custas dos governos revolucionários. Nunca rebati esse assunto porque achava desnecessário. Mas, na realidade, quando fundamos a Rede Globo, muitos dos meus companheiros achavam que devíamos ter televisões próprias em todas as grandes cidades do Brasil. Eu achei, entretanto, que devíamos ter apenas cinco emissoras básicas, que representassem a nossa cadeia, e aceitar estações de televisão de todos os Estados do Brasil como filiadas. Elas nos dariam parte de sua receita e receberiam toda a nossa programação. Essa orientação teve um grande êxito porque nós, de qualquer forma, disseminamos pelo Brasil afora a criação de empresas que se tornaram rentáveis para os seus proprietários e, ao mesmo tempo, para a própria receita da Rede Globo. Agora mesmo, durante a Constituinte, foram inúmeras as acusações de que a Rede Globo tinha apoiado os governos militares em troca da obtenção de concessões de canais. Essas tentativas (de acusações) não foram adiante. Meus companheiros, entretanto, achavam que a Rede Globo muito teria a lucrar se a verdade fosse transmitida no lugar de inverdades que tiveram tanta ressonância. Estou fazendo isso agora, diante do artigo mal informado do Washington Post, que repetiu essas inverdades. Nós vamos nos dirigir diretamente ao Washington Post, mas quisemos antecipar essas declarações à Folha de S. Paulo.

Folha — Foi durante o período militar, entretanto, que a Rede Globo teve a sua principal fase de expansão. O sr. atribui o crescimento da Rede Globo à sua capacidade de se ter identificado e atuado sobre condições econômicas favoráveis?

Roberto Marinho — (O período militar) foi uma fase de expansão em que se pôde trabalhar com tranqüilidade. Mas o fenômeno da TV foi de crescimento desde os primeiros dias de sua fundação. Fomos tendo cada vez um maior número de ouvintes e de retransmissoras em todo o país, inclusive nos lugares mais distantes. Dentro de uns meses nós estaremos com 80 retransmissoras no Brasil. (A Rede Globo tem atualmente 62 retransmissoras, sendo que 54 são filiadas.) Desde que a TV foi implantada, nós começamos a estudar o assunto com muita atenção e conseguimos expandir-nos através de uma programação atraente e útil. Preocupamo-nos muito com o problema da educação, através de cursos de alfabetização, que foram transmitidos diariamente para todos os cantos do Brasil. Através da escolha dos melhores diretores e dos melhores técnicos, conseguimos realmente essa expansão.

Folha — Além de ser um dos homens de negócio mais bem- sucedidos do país, o sr. é um empresário que tem uma visão bem definida do Brasil e que possui meios extraordinários para transmitir ao país essa sua visão. Qual é a missão que o sr. se atribui?

Roberto Marinho — Tive a felicidade de receber uma herança paterna muito benéfica. Meu pai se fez no jornalismo e se tornou um profissional vitorioso. Umas das iniciativas dele foi o lançamento dos jornais A Noite e depois O Globo, onde teve apenas 23 dias de direção. Se é que tenho alguma qualidade excepcional, devo ao meu pai, da mesma sorte que meus filhos, Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto, já revelaram igual capacidade para continuar a tradição jornalística do seu avô.

Folha — O artigo do ombudsman do Washington Post refere- se também a um boletim da embaixada americana no Brasil que afirma que nas televisões brasileiras as práticas de autocensura são comuns e a maior parte da programação é não-polêmica. O sr. aceita essa crítica?

Roberto Marinho e João Roberto Marinho (que iniciou a resposta reafirmada pelo pai, que precisou atender ao telefone) — Quem faz isso é o jornal O Globo. Esse papel de ter crítica firme é função mais de jornal do que de televisão.

Folha — No entanto, nos Estados Unidos, as redes ABC, CBS e NI3C têm um noticiário tão imperativo e crítico quanto os principais jornais daquele país.

Roberto Marinho — A televisão tem que dividir momentos de telejornalismo de orientação e de opinião sobre acontecimentos do país, com filmes, esquetes cômicos e toda uma programação que tem a preocupação de diversão, O telejornalismo é uma das partes mais responsáveis da programação das televisões, porque exerce um papel importante na formação da opinião pública, tanto na transmissão de opiniões como na apresentação dos fatos. O telejornalismo não pode sofrer nenhuma deformação.

(http://www.robertomarinho.com.br/vida/opiniao/imprensa-e-comunicacao/como-se-expandiu-a-tv-globo.htm)

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FrancoAtirador

08/02/2015 – 19:49

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Folha de S.Paulo
Ano 68 Nº 21.724
24/09/1988, Sábado
Primeiro Caderno
Página A-5

(http://acervo.folha.com.br/fsp/1988/09/24)
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Karlo Brigante

08/02/2015 – 15:36

“A única explicação razoável é que ela já sabe que o aparecimento daquela prova é apenas uma questão de tempo”.
Acho que não. O PT é ruim de comunicação…

Responder

Vinicius Carioca

08/02/2015 – 15:33

Isso aqui tá rolando no whatsApp

Responder

Antonio Humberto

08/02/2015 – 15:05

Caro Azenha! O longo de sua história a burocracia petista com seus “majoritários”, detonaram quadros importantes no partido, tudo em prol de conchavos e articulações com a direita. Várias tendências foram expulsas dos quadros do PT, casos como as eleições no Rio, quando fecharam com o Garotinho, o Governo paralelo e as alianças feitas em prol de “governabilidade”. E realmente, agora Lula vem dizer que a militância precisa reagir aos ataques. Com todo respeito ao ex-presidente, o qual considero o melhor Presidente que este país já teve. Mas, a direção do PT que levou o partido para esse caminho, nos melhores momentos a militância foi esquecida! E olhe! Apesar de tudo ela sempre esteve por amor a causa, lutando e defendendo os seus ideais. Mesmo estando fora do partido. Visto as últimas eleições, quando Dilma estava em queda nas pesquisas. É muito difícil de engolir esse discurso!

Responder

FrancoAtirador

08/02/2015 – 15:00

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Ceder às Pressões da Mídia de Mercado

Deu nisto: Total Desagregação da Esquerda

E Reaproximação do Centro com a Direita.
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Responder

FrancoAtirador

08/02/2015 – 15:54

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Está na hora do Boulos, da Luciana e do Stédile entrarem em ação.
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FrancoAtirador

08/02/2015 – 16:31

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E cadê a CONLUTAS?
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ZePovinho

08/02/2015 – 18:37

Fala,Franco!!Nas crises o ZePovinho surge por aqui.

FrancoAtirador

08/02/2015 – 18:50

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PoiZé, Povinho.

Enquanto isso,

a Avestruz M.I.A.
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FrancoAtirador

08/02/2015 – 14:49

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Urgente!

Falta uma Ponte entre o Apelo e a Rua

Se o PT, a esquerda em geral,
os movimentos sociais e o campo progressista
não se entenderem a tempo de definir uma agenda comum,
o juiz Moro o fará por eles.

Por Saul Leblon, na Carta Maior

[…]
O fato é que no breve interregno entre cinco de setembro quando Lula explodiu sua indignação e a vitória final em 26 de outubro, o PT e o governo fizeram o que nunca haviam feito e, incompreensivelmente, não voltaram a fazer ainda.

O quê?

Estabeleceram um canal de conversa indispensável
com a população sobre um tema de interesse geral:
o Brasil, a vida de sua gente, seus trunfos e desafios – hoje, ontem e amanhã.

Fez-se ali um ensaio de repactuação da confiança mútua, sintonizada no compartilhamento de rumos e de desafios, que Lula agora sugere que o PT faça, na forma de um Manifesto-compromisso e de uma repactuação política do partido com a nação.

Carta Maior viu no jorro de desassombro daquela inflexão na campanha de 2014
um ponto de ruptura com o abismo há muito aguardado.

‘A ficha caiu’, saudou-se.

No final de setembro, seria a vez da própria candidata Dilma reforçar essa impressão.

Em entrevista a um grupo de blogueiros, ‘sujos, ideológicos, governistas’, como a eles se refere o colunismo isento, a candidata explicitou o divisor que marcaria o seu segundo mandato.

A vitória então já não era mais um sonho de vento a escapar pelos dedos.

“Terei um embate (político) mais sistemático;
não serei mais tão bem comportada;
me levaram para um outro caminho,
que não era o que eu queria”.

Menos de cinco meses depois, onde foi que tudo se perdeu?

Perdeu-se a ponto de retroagir à pasmaceira anterior a cinco de setembro de Lula, com o radical agravante de que Dilma agora ocupa a presidência da nação, de onde o conservadorismo fala abertamente em retirá-la.

E toma providências explícitas para isso.

Uma parte da recaída se deve à inércia traiçoeira de uma fórmula de governo que se esgotou.

Em três mandatos presidenciais sucessivos predominou a determinação petista de restringir o confronto direto com os interesses conservadores na faixa de segurança permitida por uma correlação de forças adversa.

Mas a margem de manobra se esgotou proporcionalmente à contração do PIB e à pressão da crise mundial, agora definitivamente algemada ao Brasil.

O que antes parecia uma contingência administrável, ainda que a um custo político cada vez mais desgastante, acentua os contornos de um esgotamento de ciclo.

O conjunto aguça o desgaste intrínseco à tarefa de administrar o capitalismo ainda sem poder transformá-lo efetivamente.

O conjunto não pode ser descarregado apenas no colo de uma Dilma muda e jejuna em política.
No mínimo, o sonambulismo presidencial funde as duas coisas:
um pedaço da crise e o reflexo da sua imensa dureza.

Não fosse isso, por que então nada se move
depois que Lula, Falcão, Tarso e outros
se desdobram em evocações pela resistência?

Pela gravidade e abrangência do que precisa mudar
para desviar o país do buraco negro conservador
que diuturnamente vai sugando tudo ao redor,
mas principalmente os corações e mentes da sociedade.

O Datafolha é o monitor de controle do mutirão sombrio.
O relatório deste domingo avisa ao comando central: ‘estamos indo bem’.

À implosão do espaço acomodatício desfrutado em 12 anos de governo de composição
emerge agora a clareza vertiginosa do despreparo organizativo, ideológico e programático
para ir além da atual e angustiante desconexão entre o apelo e a resposta.
Entre o gesto e o efeito.
Pior que tudo.
A desconexão imobilizante revelou um punhal de aço
cravado contra as próprias costas do corpo progressista:
não há canais de comunicação para uma urgente repactuação do futuro com a sociedade.

Nada se faz sem a mediação tóxica da emissão conservadora.

Cujas prioridades editoriais estão mobilizadas para acelerar a velocidade disso que o Datafolha colhe em intercurso orgânico.

Quando Lula diz ‘temos que voltar às bases, o PT se tornou um partido de gabinetes’,
o que se veicula é a derrisão, não a gravidade da autocrítica
abraçada pelo maior líder progressista do país.

Como é possível que um partido formado por franjas de toda a esquerda,
quadros de alta qualidade e distintas filiações,
tenha cogitado construir um Estado de Bem-estar Social tardio,
na oitava maior economia do mundo – na era da livre mobilidade dos capitais chantageadores –
sem dispor de canais pluralistas de comunicação?

Sem espaço ideológico para exercer o repto à hegemonia
expressa pela dama de ferro do neoliberalismo, Margareth Tatcher:
‘Não há alternativa’.

Não apenas não há, como o que virá ‘será doloroso’,
sapateava o Financial Times, antes das eleições,
em editorial onde apregoava a inevitabilidade
de um conjunto de medidas cujo efeito ‘será doloroso’.
‘Ganhe quem ganhar a eleição’.

Os dias que correm parecem confirmar o vaticínio
do porta-voz dos mercados financeiros globais.

Sem repactuação política desassombrada, sobra a receita seca do ajuste ortodoxo que, de tão postiço em relação ao que a transição de ciclo requer, teve que ser terceirizado a um centurião de confiança do mercado.

O ‘estelionato eleitoral’ denunciado pelo coalizão conservadora
abstrai o fato de que ao esgotamento do espaço acomodatício pela crise,
juntou-se um cerco policial em torno da Petrobras, o derradeiro braço do Estado
para induzir o caputalismo [sic] no país.

À mutilação desse órgão vital (que carrega 13% do PIB), associou-se a queda de 50% nas cotações do barril e a maior seca já vivida no país em 80 anos.

Uma tempestade perfeita estacionou nos céus de Brasília.

Por onde começar?

‘Temos a oportunidade histórica de elaborar um novo Manifesto do PT. Isso exige humildade e coragem’, disse-o bem Lula na última sexta-feira.

Falta agora o principal: correr riscos.

Adicionar ao enunciado a agenda capaz de erguer a ponte entre o apelo e a resposta.

Definir aquilo que, efetivamente, ofereça uma razão suficientemente forte, crível, palpável para a letargia deixar o sofá do descrédito e ir às as ruas, voltar às bases, cobrar, debater e pactuar o passo seguinte do desenvolvimento brasileiro.

Se o PT, a esquerda em geral, os movimentos sociais e o campo progressista não se entenderem a tempo de definir uma agenda comum –e não há tanto tempo assim, avisa o Datafolha– o juiz Moro o fará por eles.

Dando uma razão conservadora suficientemente apelativa para aglutinar o passo final da marcha regressiva em curso no Brasil.

As graves denúncias de Paulo Henrique Amorim
(https://www.youtube.com/watch?v=uyz-W645oGQ)
sobre as condições em que estão sendo extraídas
as ‘delações premiadas’ da Lava Jato,
bem como o parecer ’Gandra/FHC’,
indicam uma determinação muito clara:
ir além do Estado de Direito.

Íntegra em:

(http://cartamaior.com.br/?/Editorial/Urgente-falta-uma-ponte-entre-o-apelo-e-a-rua/32828)
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Responder

FrancoAtirador

08/02/2015 – 14:40

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De qualquer modo, na primeira reunião com seu Ministério,
Dilma já definiu sua estratégia de comunicação.
Juntou os Ministros e ordenou a eles mais ou menos o seguinte:

Ela: – Vocês precisam entrar na batalha de comunicação.

Eles: – Como?

E ela, mais ou menos assim:

– Virem-se!

A Estratégia de Dilma para a Guerra da Comunicação

Por Luis Nassif, no Jornal GGN

(http://jornalggn.com.br/noticia/a-estrategia-de-dilma-para-a-guerra-da-comunicacao-virem-se)
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Responder

FrancoAtirador

08/02/2015 – 14:55

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DILMA PAGA A CONTA PELO SILÊNCIO

A inflação não disparou, o desemprego não subiu.
Aprovação caiu 19 pontos porque, encerrada a campanha eleitoral,
Dilma emudeceu e debate político voltou ao controle da velha mídia

Não confrontou versões nem fez a disputa política —
condição para impedir que um mentira
repetida 1000 vezes se transforme em verdade.

Apesar da parcialidade dos meios de comunicação,
o governo tinha como responder aos ataques,
com bom espaço, no horário nobre.

Por Paulo Moreira Leite

Um mês depois do início do segundo mandato,
Dilma Rousseff atinge um nível deprimente de impopularidade.

A queda nos índices de aprovação não é uma surpresa.
Mas é importante discutir o que está por trás disso.

Nossos analistas econômicos continuam anunciando um apocalipse que insiste em não mostrar sua cara — ao menos até agora.

O desemprego não aumentou. A inflação também não disparou.
Não há novidade na Operação Lava Jato, que segue seu curso de espetáculo midiático.

Vários fatores explicam a queda de Dilma e pode-se mesmo dizer que o governo federal vive uma situação semelhante…. à do prefeito da capital, Fernando Haddad.

Para entender o que aconteceu com Dilma, porém, o ponto principal, na minha opinião, é a mudança no lugar do governo.

O último levantamento disponível, onde números de bom, ótimo, ruim e péssimos estavam praticamente invertidos, refletia a realidade política da campanha presidencial.

Os ataques eram violentos e diários — mas Dilma tinha o horário político para defender-se, para argumentar e fazer o contraponto.

Apesar da parcialidade dos meios de comunicação,
o governo tinha como responder aos ataques,
com bom espaço, no horário nobre.

Também participava de debates, onde era possível denunciar a falsidade de boa parte das críticas.

Encerrada a campanha, voltamos ao monopólio dos adversários, ao Manchetômetro nosso de cada dia.

Para ficar no Jornal Nacional, os números da última semana indicam 24 notícias contrárias para 9 neutras.

Outros fatores também pesaram, porém.

O governo não apenas não tinha o horário político para defender-se —
mas em nenhum momento empregou o espaço convencional que a presidência oferece
a quem está em palácio para dar explicações, argumentar ou responder.

Não confrontou versões nem fez a disputa política — condição para impedir que um mentira repetida 1000 vezes se transforme em verdade.

A queda de 19 pontos na categoria bom e ótimo é um movimento tão grande que expressa outro sinal.

Difícil negar que eleitores que garantiram a vitória de Dilma no segundo turno, num confronto polarizado de projetos políticos, ficaram decepcionados com aquilo que veio depois.

Hoje, diz o DataFolha, um total espantoso de 54% dizem que Dilma é “falsa” — número que chegava a 13%, anteriormente.

A nomeação de um ministro da Fazenda inteiramente identificado com as ideias adversárias já seria complicada em qualquer situação, em particular num país onde a credibilidade não é a virtude mais reconhecida entre os políticos e candidatos.

A novidade agravou-se porque a nova direção econômica veio acompanhada de medidas que, mesmo sendo justificáveis do ponto de vista técnico, são economicamente desvantajosas para os assalariados, que mais uma vez sentiram-se chamados, compulsoriamente, a pagar uma conta de ajuste que caiu no seu orçamento, poupando os ricos e endinheirados de qualquer sacrifício.

Como disse na época o professor Wanderley Guilherme dos Santos em entrevista:
o governo precisava ter explicado o que estava fazendo, por quê e para chegar aonde.

Disse Wanderley, em 16 de dezembro de 2014:

“Quem foi eleita prometendo idéias (e gente) novas para um governo novo, e suplicou o apoio ativo da esquerda na última semana da campanha – arrancada sem a qual teria perdido a eleição – não tem o direito de pedir silêncio quando surpreende a praticamente todos os setores da esquerda com suas indicações.
Não se trata de oposição radical aos nomes indicados, mas de expectativa de que sejam informados de qual trajetória a ser cumprida.
A indiferença do governo em relação ao espanto e reclamações de seus eleitores, ao lado de afagos a adversários de ontem, pode ser entendida como abuso de confiança.
O governo deve satisfações a quem o elegeu.”

(http://paulomoreiraleite.com/2015/02/08/o-silencio-derrubou-dilma/)
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